AS SÉRIES
Retrospectiva

A história dos programas de Chespirito
ÍNDICE
> a CHegada
> O PROGRAMA NÚMERO UM DA TELEVISÃO HUMORÍSTICA E O HERÓI CUJO ESCUDO É UM CORAÇÃO
> CHAVES & CHAPOLIN VÊM AÍ, OLÊ OLÊ OLÁ
> A ERA "DOUTOR CHAPATIN"
> 1974. CRIANÇA DESAPARECIDA
> A ERA DE OURO
> 1978: AUGE E CRISE. VOCÊ NÃO VAI COM A MINHA CARA?... ENTÃO TCHAU!
> E SÓ NÃO TE DOU OUTRA PORQUE... VOU EMBORA DAQUI!
> CHIQUINHA ÓRFÃ E DONA FLORINDA SEM SEU TESOURO
> TCHÊ-TCHÊ-TCHÊ!
> SOU CARTEIRO, NÃO SUBSTITUTO!
> RENASCIMENTO
> NEM SÓ DE CHAVES & CHAPOLIN VIVE UM GÊNIO
> E POR FALAR EM FÍSICA QUÂNTICA...
> INSINUA QUE SOU VELHO?
> VOLTA O CÃO ARREPENDIDO
> PELA PRIMEIRA E ÚNICA VEZ, ELE FEZ ALGUÉM CHORAR
> CHAVES, 8 OU 80 ANOS?
> CHAPOLIN OU "CHATO RESTO"?
> UMA BRUXA NO CÉU
> EVITOU A FADIGA PARA SEMPRE...
> DEUS E CHAVES SÃO BRASILEIROS
> E SUAS PRIMEIRAS PALAVRAS FORAM... "ESTOU CAÇANDO LAGARTIXAS!"
> POLEGAR! VERMELHINHO! POLEGAR! VERMELHINHO!
> 'CHAVO IN BOX'
> UM DESENHO ANIMADISSISSÍSSIMO

a CHegada
Roberto Gómez Bolaños criou os personagens Chapolin e Chaves em 1970 e 1971, respectivamente, ambos dentro do programa Chespirito, na extinta Televisión Independiete de México. Inicialmente, eram apenas quadros de poucos minutos de duração. Nos esquetes de Chaves, já participavam Ramón Valdés, o Seu Madruga, e María Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, mas eles não tinham esses nomes e ainda não eram pai e filha.

Topo

O PROGRAMA NÚMERO UM DA TELEVISÃO HUMORÍSTICA
E O HERÓI CUJO ESCUDO É UM CORAÇÃO

Em fevereiro de 1973, o programa Chespirito acabou e nasceram os programas El Chavo del Ocho (Chaves) e El Chapulín Colorado (Chapolin). Os primeiros episódios eram gravações de 1972 reunidas para compor um programa de meia hora de duração, contando os intervalos comerciais.

El Chavo del Ocho – em português, "O Chaves do Oito" –, ganhou esse nome porque 8 era o número do canal TV TIM. Porém, nessa mesma época a Televisa comprou a rede e herdou Chaves & Chapolin. Ou seja, o "Chaves do Oito" passou do Canal 8 para o Canal 2, mas não por isso mudou seu nome para "El Chavo del 2". Para explicar o 8, Bolaños contou na história que o Chaves morava na casa de número 8, que nunca apareceu, tornando-se um dos grandes mistérios que não deixam dormir os chavesmaníacos. Ah, e aliás, o moleque não se chama Chaves. Na verdade, ele se chama... (ops, deu um probleminha aqui no teclado).

Chapulín é o nome de um inseto, mais precisamente um gafonhoto que faz parte do cardápio da culinária mexicana. E é um gafanhoto vermelho, daí o sobrenome Colorado. Chespirito sempre foi amante da literatura e um de seus autores preferidos é Miguel de Cervantes, considerado o pai do idioma espanhol. Ao ler o clássico "Don Quijote de La Mancha", Bolaños ficou encantado com as aventuras do anti-herói e seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Uma sátira às novelas de cavalaria, que dominavam os romances da época. Guardadas as devidas proporções, Chespirito deu uma resposta ao excesso de super-heróis americanos do século XX, como Batman e Super-Homem. Criou, então, o Chapolin, seguindo a mesma linha de Dom Quixote, atrapalhado... e medroso! Porém, ele supera o seu medo. E exatamente por isso é o maior dos heróis. Para Chespirito, o heroísmo não consiste em carecer de medo e sim em superá-lo. Além de tudo, Chapolin é baixinho, feio, burro, fraco, imbecil etc. etc. etc. (tudo bem, poderíamos ter pelo menos poupado um par de etc.).

CHAVES & CHAPOLIN VÊM AÍ, OLÊ OLÊ OLÁ!

Chaves & Chapolin foram os primeiros programas exportados pela poderosa Televisa. Até 1975, os dois programas já eram exibidos em quase toda a América Latina. E em 1978, a Argentina foi o penúltimo país das Américas a comprar Chaves. Até nos Estados Unidos Chaves já era sucesso na hispânica emissora Univisión. O Brasil foi o último (lero-lero, lero-lero!). Em 1984, já havia muitos anos que os brasileiros não ganhavam a Copa... A ditadura felizmente já tinha acabado... Estava tudo tão monótono que, num belo dia, Silvio Santos não tinha nada pra fazer, mas tinha dinheiro de sobra em seu baú para comprar o Chaves e um pacote de novelas da Televisa.

Agora vamos acabar de vez com o boato ridículo de que o Chaves veio no meio de um pacote de novelas que o Silvio Santos comprara e que ele nem sabia que tinha o seriado ali... Isso é um absurdo estúpido. Em 1984, todos os donos das emissoras que exibiam Chaves, ou seja, os donos de emissoras de todos os países das Américas já conheciam muito bem o poder do seriado, que sempre ficou em primeiro lugar de audiência em cada um desses canais. Silvio Santos, portanto, sabia muito bem o que estava fazendo quando comprou Chaves & Chapolin da Televisa. É completamente fantasiosa e infantil a idéia de que o Patrão apostou em Chaves sozinho, que no início só ele achava graça naquilo e que estava "pagando pra ver" no que ia dar. Conversa! Muito provavelmente o pensamento dele foi o oposto de tudo isso, foi "só falta eu comprar essa porcaria". E comprou. Valeu, Silvio!

A ERA "DOUTOR CHAPATIN"

Mas voltando (e voltando mesmo!)... No comecinho, podemos ver coisas estranhíssimas como o famoso "episódio-piloto", considerado a primeira gravação oficial de Chaves com a história mais próxima do enredo conhecido. Seu Madruga e Chiquinha já têm nome (Don Ramón e La Chilindrina) e já são pai e filha. Só que começam morando na casa que depois seria a famosa casa 14, de Dona Florinda.

Os outros personagens foram sendo criados e, até 1973, primeiro ano do programa oficial, já existiam todos os principais: Seu Madruga, Chiquinha, Quico e Dona Florinda, que eram os quatro personagens "fixos", com aparições garantidas em todos os episódios, ao lado do Chaves. Depois vieram o Senhor Barriga, que nos primeiros programas não tinha esse nome e ainda não era o dono da vila, ele simplesmente cobrava os aluguéis; a Bruxa do 71, que no início era a vizinha mais rica e metida, a dama da vila (depois a Dona Florinda acabou assumindo mais esse papel "da alta"); e finalmente o Professor Girafales, que pode ser considerado o primeiro personagem criado – nasceu em outro programa de Chespirito, "Los Supergenios de la Mesa Cuadrada", de 1968.

1974. CRIANÇA DESAPARECIDA
Quando você vê, no SBT, um episódio de Chaves em que a Chiquinha não aparece, pode garantir: é de 1974, ano em que María Antonieta de las Nieves ausentou-se do programa por razões ainda não confirmadas por ela. Alguns sites e livros por aí dizem que foi para fazer um programa de variedades. O fato de que esse programa realmente existiu, entretanto, não necessariamente prova que ela deixou o Chaves por esse motivo. Outros dizem que a atriz ficou grávida e saiu para ter o filho, o que é muito estranho porque María Antonieta não tem filhos "de sangue". Ela registrou Gabriel e Verónica, filhos de seu marido Gabriel Fernández, como filhos dela, mas não é a mãe biológica. Alguém pode alegar que ela pode ter perdido o bebê, tudo bem, mas me parece estranho tirar licença-maternidade durante 12 meses, sendo que ela não teve o filho! Para não correr o risco de inventar coisas da nossa cabeça, afinal só a própria atriz poderia confirmar qualquer das histórias, dizemos apenas que ela não aparece nos episódios de 1974. E que, felizmente, retornou no ano seguinte, para ficar! Existe um episódio de 1975 marcando esse retorno da Chiquinha, que na história estivera esse tempo morando em outra cidade com suas tias.

A ERA DE OURO

De 1975 a 1977, Chaves viveu a sua "Era de Ouro". O sucesso foi tanto que o grupo saiu da televisão para subir palcos montados em estádios de futebol que lotavam a cada apresentação. Na lista das cidades contempladas com um teatrinho oficial do Chaves estão as capitais de Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, Chile etc. Neste último (não o etc., o Chile), por exemplo, a Chavesmania que invadiu o país em 1977 foi algo tão impressionante que só pode ser comparada à Beatlemania da década anterior. Ao descer do avião, os atores foram surpreendidos por uma massa de fãs incontroláveis que driblaram a segurança para chegar perto daqueles personagens apaixonantes que apareciam na televisão e que agora estavam ali, em carne e osso. E ao vivo! Muitos choravam, desesperados, pela emoção de estar tão perto de seus ídolos.

Em outra ocasião, na Colômbia, os atores de Chaves foram convidados pelo presidente do país e a primeira dama para uma marcha social. Resultado: milhares de pessoas lotaram as ruas de Bogotá de maneira que este evento só encontra semelhança histórica na visita do Papa João Paulo II à capital. Com este feito, Chespirito e seus companheiros ganharam um presentinho: a cidadania colombiana.

1978 - AUGE E CRISE. VOCÊ NÃO VAI COM A MINHA CARA?... ENTÃO TCHAU!
As viagens e apresentações em estádios lotados eram constantes. Em 1978, portanto no auge do sucesso, o grupo passou por sua maior e irreversível crise até então: a saída de Carlos Villagrán, o Quico. E definitiva! Esse acontecimento pode ser considerado, sob certo ângulo, o "começo do fim" de Chaves. Para agravar tudo, essa saída não foi nada amigável nos bastidores. De um lado, temos Carlos Villagrán alegando que seu espaço foi diminuído no programa porque o Quico estava se destacando demais. Ele sempre afirma que o Quico se tornou mais popular que o próprio Chaves, e que por esse motivo foi alvo de inveja por parte dos demais colegas. Do outro lado, Chespirito conta que Villagrán queria cada vez mais espaço no programa e que não aceitava ter o mesmo destaque que a Chiquinha. Já María Antonieta ressalta que Villagrán deixou o elenco quando Chaves estava no ápice, em seu maior momento, para se aproveitar do sucesso sozinho, ou seja, lucrar sozinho. Rubén Aguirre (Prof. Girafales) e Florinda Meza (Dona Florinda) também já deixaram claro, em declarações, que foram contra a atitude de Villagrán. Edgar Vivar, o Seu Barriga, não comentou o caso, mas diz que não considera o ator seu "amigo".

E SÓ NÃO TE DOU OUTRA PORQUE... VOU EMBORA DAQUI!
Parece que, de todos, o único que ficou do lado de Carlos Villagrán, sem, no entanto, brigar com os demais, foi Ramón Valdés (Seu Madruga). E, em 1979, foi a vez de o papai da Chiquinha abandonar a vila, o que pode ser entendido como "o golpe final" na trajetória de Chaves. Segundo Villagrán, Ramón saiu por consideração a ele, tanto que os dois chegaram a trabalhar juntos nos programas solos do "Kiko". Isso mesmo, Kiko, com K, e não mais "Quico". Para poder continuar vivendo o menino bochechudo vestido de marinheiro que chora de um jeito engraçado, e ainda explorá-lo comercialmente, Villagrán registrou o personagem com K, Kiko, e criou seus programas de televisão próprios, que foram gravados e transmitidos na Venezuela. É claro que, sem os textos de Bolaños, Kiko não chegou aos pés do sucesso de Chaves. No Brasil, o programa do Kiko foi exibido na Rede Bandeirantes, em 1991, mas como diria o próprio, "não deu": não emplacou...

CHIQUINHA ÓRFÃ E DONA FLORINDA SEM SEU TESOURO

Bom, mas Chaves continuou até os primeiros meses de 1980, mesmo sem Seu Madruga e Quico. Na história, Dona Florinda contou que Quico foi morar com sua madrinha rica porque não podia mais conviver com toda aquela gentalha (citado no episódio "Vamos ao Cinema?", primeiro sem o Quico); já Chiquinha explicou que seu papaizinho lindo deixou a vila para procurar trabalho fora. Só que a menina sardenta e chorona não poderia ficar sozinha no mundo, então Bolaños deu mais um papel para María Antonieta, criando a velha Dona Neves para cuidar de sua "biscaneta". Enquanto isso, crescia o destaque dos personagens Nhonho e Pópis, brilhantemente interpretados por Edgar Vivar e Florinda Meza, os mesmos Seu Barriga e Dona Florinda. E também aumentavam as participações especiais de Horácio Gómez como Godines.

Mas a Vila do Chaves sem Quico e Seu Madruga não era mais a mesma. Na verdade, tudo girava em torno do velho Madruga; e Quico exercia a fundamental função de oposto do Chaves, criando um ponto de equilíbrio. Era uma espécie de vilão divertido que sempre rouba a cena: apesar de tonto com T de tapado e bem besta, ele tinha malícia e sempre acabava judiando do pobre do Chaves. Este não deixava barato e revidava a golpes que, quando não acertavam o Seu Barriga, acabavam acertando... O Seu Madruga, que sempre chegava na hora errada! A justa hora em que Dona Florinda, a mãe superprotetora, aparecia para defender seu filho que gritara "Mamãããe!" enquanto desviava dos golpes do Chavinho, ou que chorara "Arrrrrrr..." na parede, quando não conseguia desviar. No fim das contas, a Velha Coroca entendia que era o Seu Madruga quem queria fazer mal a seu "tesouro"... E tome tabefe na cara do pobre, porém honrado, que nunca revidava. Para descontar sua raiva, jogava o chapéu no chão com força e o pisoteava.

E tudo por culpa de quem? Do Chaves de novo, ou do Chaves mesmo, que ganhava um belo cascudo seguido de "Só não te dou outra porque...". E o ciclo se encerrava com o Chaves indo chorar seu "Pipipipipi" dentro do barril.

Tudo isso era a chave do programa; repetia-se exaustivamente em todos os capítulos, e ainda mais de uma vez em um mesmo episódio. Agora imagina toda essa história sem Seu Madruga e Quico... Qual seria a função da Dona Florinda? Por quem a Bruxa do 71 morreria de amores? Quem choraria na parede da vila? De quem o Senhor Barriga cobraria 14 meses de aluguel? E quem cuidaria da Chiquinha?

TCHÊ-TCHÊ-TCHÊ!
Dona Neves serviu para os cachorros, digo, serviu para suprir a falta de um responsável para viver com a Chiquinha na casa 72. E também herdou a dívida de 14 meses de aluguel do neto. Mas ainda assim a vila era vazia e parecia ter perdido sua alma. A solução encontrada por Chespirito foi exatamente o que fizeram com o humorístico "Sai de Baixo" quando o programa entrou em crise: a criação de um restaurante! O Restaurante de Dona Florinda passou a ser o cenário principal.

SOU CARTEIRO, NÃO SUBSTITUTO!
Um último acerto foi a criação do personagem Jaiminho, que fez muito sucesso com seu bordão "É que eu quero evitar a fadiga...". O carteiro de Tangamandápio era um personagem totalmente novo e diferente de tudo anteriormente criado. Preguiçoso e sempre bem humorado, ele roubou a cena nos episódios do restaurante. Seu intérprete, Raúl "Chato" Padilla, já era um conhecidíssimo ator com dezenas de filmes e peças de teatro no currículo. Foi o primeiro ator convidado por Chespirito após a formação original do grupo.

RENASCIMENTO
Mas Chespirito entendeu que o melhor a fazer era encerrar os programas Chaves & Chapolin. Ele chegou a gravar o "último capítulo" do Polegar Vermelho, em 1979. Em 1980, no entanto, foi gravado o especial "Aventuras em Marte", que o SBT já exibiu muito como se fosse "o filme do Chapolin", mas não é filme, é um formato para televisão mesmo. A grande surpresa desse especial foi a participação de Ramón Valdés! O eterno Seu Madruga fez um acordo com Chespirito para fazer participações especiais esporádicas em seu novo programa, Chespirito, de 1980.

NEM SÓ DE CHAVES E CHAPOLIN VIVE UM GÊNIO

O quadro Los Caquitos, uma antiga idéia que Bolaños já tinha usado no primeiro programa Chespirito (1970-73) e de que vez ou outra gravava-se um esquete para ser exibido antes de Chaves ou Chapolin, foi retomado com força total nesse novo programa Chespirito, de 1980. Mais tarde esse quadro ganhou o nome de El Chómpiras. A série foi muito exibida no Brasil na CNT/Gazeta, em 1997, no programa Chespirito.

Nos primeiros Los Caquitos, dos anos 70, Chespirito vivia o famoso ladrão Chômpiras ao lado de Ramón Valdés, que fazia o seu parceiro de roubos, El Peterete. Com a saída de Ramón, Edgar Vivar ocupou o espaço (sem referências!) vestindo o pesado Botijão (El Botija). Com o passar dos anos, ao longo da década de 80, Chômpiras e Botijão foram abandonando o mundo do crime até virarem trabalhadores honestos do Hotel Buena Vista. Botijão virou ascensorista do elevador do hotel e casou-se com a camareira, Chimoltrúfia (interpretação genial de Florinda Meza). Já o Chômpiras virou carregador de malas do mesmo hotel. Rubén Aguirre atuou na série como o Sargento Refúgio; e ainda participaram María Antonieta como "Maruja", Angelines Fernández (a Bruxa), como Dona Nachita e Raúl Padilla (o Jaiminho), como o delegado Morales. Participaram ainda dois atores convidados para viver a mãe de Chimoltrúfia e o dono do Hotel: Anabel Gutiérrez e Moises Suárez. Os dois foram tão bem que integraram o elenco fixo do programa Chespirito e gravaram muitos outros quadros.

E POR FALAR EM FÍSICA QUÂNTICA...
Outra série de sucesso criada dentro do novo programa Chespirito foi Los Chifladitos, que depois mudou de nome para El Chaparrón Bonaparte, protagonizada por Chespirito como o louco Chaparrón Bonaparte e Rubén Aguirre como o louco Lucas Tañeda. Ao ler esse texto, Lucas certamente dirá a seu amigo: "Chaparron, sabia que as pessoas continuam dizendo que eu e você estamos loucos?"... Esse quadro também foi ao ar no programa Chespirito na CNT; e contava com a participação de Florinda Meza como a vizinha e de Horácio Gómez como o pai da vizinha. Mas todos os outros participavam com diversos papéis. Até Ramón Valdés chegou a gravar alguns episódios de Chaparrón.

INSINUA QUE SOU VELHO?
O velho Doutor Chapatin, que já deve estar tendo coisas por não ter sido citado até agora, continou velho e com um quadro só pra ele, no novo programa Chespirito. Chapatin é o primeiro personagem "CH" criado por Chespirito, pois nasceu no programa 'Los Supergenios de la Mesa Cuadrada' (1969). A única diferença é que ele era doutor universitário e depois virou médico. Bem, de qualquer jeito, o Doutor Chapatin é o primeiro personagem criado de todos porque foi o primeiro que chegou no mundo.

VOLTA O CÃO ARREPENDIDO
Para felicidade geral de todos os chavesmaníacos, Ramón Valdés voltou a viver o Seu Madruga, além de gravar novos quadros de Chapolin. Nesses episódios, Chespirito acabava se empolgando com a presença de Ramón e aproveitava para gravar especiais de quase uma hora de duração ou mais. No entanto, era cada vez menor a participação de Ramón no programa Chespirito, até que ele saiu definitivamente e montou o seu circo, na segunda metade dos anos 80. Voltou a gravar com Carlos Villagrán, desta vez o seriado Ah, qué Kiko!, o mais famoso dos programas Kiko. Interpetava o dono de uma venda, quem sabe a venda da esquina?

PELA PRIMEIRA E ÚNICA VEZ, ELE FEZ ALGUÉM CHORAR

Ramón Valdés foi o primeiro ator de Chaves a nos deixar. Morreu em 9 de agosto de 1988, aos 65 anos. Todos dizem que a causa de sua morte foi câncer de pulmão. Pesquisando, o Fã-Clube descobriu que ele teve uma série de problemas de saúde em decorrência de um câncer que começou no cóccix. É claro que o fato de ter fumado demasiada e descontroladamente durante décadas agravou fatalmente o seu estado. Dizem que até internado no hospital ele fumava, escondido das enfermeiras.

A morte do Seu Madruga foi um choque muito grande para todos os seus companheiros e admiradores. Todos os colegas até hoje se emocionam demais quando falam sobre ele. Entre os fãs, a idolatria da imagem do Seu Madruga é tamanha que se compara à adoração a John Lennon, Elvis Presley, Che Guevara ou mesmo Jesus Cristo. Os lemas "Seu Madruga não morreu"; "Só Seu Madruga salva" e semelhantes são cada vez mais constantes em camisas, adesivos e outros produtos. É um verdadeiro mito, cuja morte é de difícil aceitação porque, afinal, ele está vivo diariamente na televisão. E nos faz rir até hoje.

CHAVES, 8 OU 80 ANOS?
Com o passar dos anos e o fim da década de 80, Chespirito e seu elenco já estavam bem cansados e visivelmente envelhecidos e mais gordos. O sucesso já não era o mesmo. Os bons tempos já tinham passado. O programa ainda conseguiu se manter durante o início dos anos 90, mas os atores sentiam que não era mais possível gravar Chaves. Bolaños já estava velho demais para viver um menino de 8 anos. Portanto, por respeito ao público e para não deixar virar algo grotesco, Chespirito decidiu encerrar as gravações de Chaves, definitivamente, em 1992. Tudo terminou num episódio da escolinha, como todos os outros, sem nenhuma despedida especial nem capítulo final. Foi apenas o fim de um ciclo.

CHAPOLIN OU "CHATO RESTO"?
Os quadros de Chapolin conseguiram sobreviver até 1993, quando Chespirito percebeu que um Chapolin velho, sem movimentos friamente calculados, que não podia mais pular nem cair direito, já não fazia mais sentido. O programa Chespirito, com seus outros quadros, ainda seguiu adiante, com a criação de novas histórias e séries como Dom Caveira.

UMA BRUXA NO CÉU
Em 1994, morreu a Bruxa do 71, à idade de mesmo número. Angelines Fernández era tão fumante quanto Ramón Valdés. Causa da morte: câncer de pulmão. Nos últimos anos de gravação, ela engordou muito, devido ao uso de medicamentos, e estava bastante envelhecida. Conta-se que Angelines entrou em depressão quando o Seu Madruga morreu, pois eram amigos íntimos desde os anos 60.

EVITOU A FADIGA PARA SEMPRE...
No mesmo ano, outra perda irreparável. Durante as gravações do programa, Raúl Padilla, o Jaiminho, aos 76 anos, passou mal e foi internado. Sofria de diabetes e não sobreviveu. Depois disso, o programa ainda respirou por mais alguns meses, terminando de vez em 1995.

DEUS E CHAVES SÃO BRASILEIROS!

No Brasil, o fenômeno Chaves & Chapolin chegou relativamente tarde, em 1984. Erra quem pensa, portanto, que "Chaves é um ícone dos anos 80", simplesmente porque todos os episódios que passam no Brasil são dos anos 70.

O que garantiu o sucesso de Chaves no Brasil não foi exatamente a tão falada "grande sacada" do Homem do Baú. Tampouco se deve à sua estréia no Bozo ou no 'TV Pow'. Se Chaves tem um imenso Fã-Clube nacional hoje, e se ainda é líder de audiência com suas reprises no ar há mais de 20 anos, a culpa é da sua versão brasileira! De seus dubladores! Podemos dizer que esses artistas não apenas "dublaram" a série, mas a recriaram em português.

E SUAS PRIMEIRAS PALAVRAS FORAM... "ESTOU CAÇANDO LAGARTIXAS!"

O primeiro episódio exibido no idioma de Camões foi "O caçador de lagartixas". Ou seja, Chavinho era recém-nascido no Brasil, vai ver é por isso que sua voz era tão finiiinha... Marcelo Gastaldi, o maior responsável pela Chavesmania, ainda não tinha acertado o tom do personagem que o consagraria como o grande mestre da dublagem.

Tudo começou assim: Chaves era exibido às segundas, quartas e sextas. E o Chapolin, às terças e quintas.

POLEGAR! VERMELHINHO! POLEGAR! VERMELHINHO!
O primeiro Chapolin foi "O Cleptomaníaco", no qual Ramón Valdés interpreta o Conde Terranova que rouba os selos do colecionador Carlos. O segundo foi "O Anel Mágico", no qual Florinda faz uma bruxa que tem um anel poderoso. O terceiro foi o das pulgas, que antes de começar apresentou o primeiro quadro do Doutor Chapatin dublado nos estúdios Maga.

'CHAVO IN BOX'

Mais de 20 anos após sua estréia no SBT, o mundo de Chespirito finalmente conquista o mercado de DVDs nacionais. Em parceria com o Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil, a empresa Amazonas Filmes arregaçou as mangas e colocou em prática um projeto ousado que encerra o momento atual da "Era CH" no Brasil com "Chaves de Ouro".

São DEZ caixas, cada uma com três DVDs, ou seja, 30 discos recheados de episódios inéditos no Brasil! São 12 de Chaves, 10 de Chespirito e 8 de Chapolin. Pelo fato de a dublagem dos episódios clássicos, que já passam no SBT, ter sido feita exclusivamente para a televisão, uma nova dublagem fez-se necessária. De qualquer forma, como a maioria dos episódios é inédita, haveria uma nova dublagem de qualquer jeito.

Para essa façanha, foram chamados os mesmos deuses da dublagem: Carlos Seidl (Seu Madruga), Nelson Machado (Quico), Cecília Lemes (Chiquinha), Marta Volpiani (Dona Florinda), Osmiro Campos (Prof. Girafales) e Helena Samara (Bruxa do 71).

Apesar de deuses da dublagem, eles são de carne e osso. E o tempo não esperou todos. Os mestres Marcelo Gastaldi (Chaves) e Mario Villela (Seu Barriga/Nhonho) já morreram. Estão bem representados. E Silton Cardoso, que fazia o Godines, não foi encontrado, mas foi substituído à altura.

UM DESENHO ANIMADISSISSÍSSIMO

Lançada em 2006, a série animada oficial de Chaves é uma produção da Ánima Estudios (empresa mexicana de animação que é a maior da América Latina) em parceria com Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños, e com a supervisão geral do próprio Chespirito. Os direitos de exibição e distribuição, é claro, são da Televisa. A Ánima leva cerca de duas semanas para realizar um único episódio, pois se trata de uma animação avançada e detalhista. Além de software 3D, o estúdio trabalha com a ferramenta Adobe Flash para realizar as façanhas da turma do Chaves em desenho animado.

É um trabalho muito bem feito e pensado. Afinal, nada pode fugir muito do estilo do criador, Chespirito. Ao todo, são cerca de 100 especialistas trabalhando na produção do desenho. Cada capítulo custa mais de 200 mil mangos! A primeira temporada traz 26 histórias, sendo 13 adaptações de episódios originais da série e 13 roteiros inéditos, abrindo novas possibilidades para o mundo de Chaves.

O desenho não conta com a Chiquinha pois os direitos autorais da personagem não pertencem mais a Chespirito e sim à sua intérprete, María Antonieta de las Nieves. Não houve acordo entre os dois e a menina pintadinha, banguela, quatro-olhos e chorona ficou de fora da série. Episódios sem a Chiquinha lembram a temporada de 1974 de Chaves, quando a atriz deixou a série para fazer um programa solo - mas retornou à vila em 75. Os fãs esperam que esse regresso também aconteça no desenho!

Todos os países da América Latina adquiriram a série animada. Seu nome original é apenas "El Chavo". No Brasil, foi lançada no primeiro dia do ano de 2007 com o nome de "Chaves em Desenho Animado". A versão brasileira ficou a cargo da grande Herbert Richers, sob direção de Carlos Seidl. Porém, uma parte da dublagem é feita em São Paulo, com os dubladores paulistas dirigidos por Herbert Jr., em estúdios da Álamo alugados pela Herbert. O elenco de dublagem é quase o mesmo dos DVDs da Amazonas Filmes: Carlos Seidl (Seu Madruga), Marta Volpiani (Dona Florinda/Pópis), Osmiro Campos (Prof. Girafales), Helena Samara (Bruxa do 71), Alexandre Marconato (Godines) e Gustavo Berriel (Nhonho).

Os novos dubladores são: Marcelo Torreão (Seu Barriga), Waldir Fiori (Jaiminho) e Sérgio Stern (Quico)... Infelizmente, não houve acordo entre o SBT e Nelson Machado, o dublador oficial do Quico.

Detalhes nunca vistos e mistérios da série originais poderão aparecer neste desenho, graças aos recursos criativos de animação deste projeto que permite uma visão inédita da vila e de seus famosos inquilinos.

Texto de Gustavo Berriel