Retrospectiva |
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Roberto
Gómez Bolaños criou os personagens
Chapolin
e Chaves
em 1970 e 1971, respectivamente, ambos dentro do
programa Chespirito, na extinta
Televisión Independiete de México.
Inicialmente, eram apenas quadros de poucos minutos
de duração. Nos esquetes de Chaves,
já participavam Ramón
Valdés, o Seu
Madruga, e María
Antonieta de las Nieves, a Chiquinha,
mas eles não tinham esses nomes e ainda não
eram pai e filha. |
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O
PROGRAMA NÚMERO UM DA TELEVISÃO
HUMORÍSTICA
E O HERÓI CUJO ESCUDO É UM CORAÇÃO |
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Em fevereiro de 1973, o programa Chespirito
acabou e nasceram os programas El Chavo
del Ocho (Chaves) e
El Chapulín Colorado (Chapolin).
Os primeiros episódios eram gravações
de 1972 reunidas para compor um programa de meia
hora de duração, contando os intervalos
comerciais.
El Chavo del Ocho – em português,
"O Chaves do Oito" –, ganhou esse
nome porque 8 era o número do canal TV
TIM. Porém, nessa mesma época
a Televisa comprou a rede e herdou Chaves
& Chapolin. Ou seja, o "Chaves
do Oito" passou do Canal 8 para o Canal 2,
mas não por isso mudou seu nome para "El
Chavo del 2". Para explicar o 8, Bolaños
contou na história que o Chaves
morava na casa de número 8, que nunca apareceu,
tornando-se um dos grandes mistérios que
não deixam dormir os chavesmaníacos.
Ah, e aliás, o moleque não se chama
Chaves.
Na verdade, ele se chama... (ops, deu um probleminha
aqui no teclado).
Chapulín é o nome de
um inseto, mais precisamente um gafonhoto que
faz
parte do cardápio da culinária
mexicana. E é um gafanhoto vermelho,
daí o
sobrenome Colorado. Chespirito
sempre foi amante da literatura e um de seus
autores preferidos é Miguel de Cervantes,
considerado o pai do idioma espanhol. Ao ler
o clássico
"Don Quijote de La Mancha", Bolaños ficou
encantado com as aventuras do anti-herói
e seu fiel escudeiro, Sancho Pança.
Uma sátira às novelas de cavalaria,
que dominavam os romances da época.
Guardadas as devidas proporções, Chespirito
deu uma resposta ao excesso de super-heróis
americanos do século XX, como Batman
e Super-Homem. Criou, então, o Chapolin,
seguindo a mesma linha de Dom Quixote, atrapalhado...
e medroso! Porém, ele supera o seu medo.
E exatamente por isso é o maior dos heróis.
Para Chespirito,
o heroísmo não consiste em carecer
de medo e sim em superá-lo. Além
de tudo, Chapolin
é baixinho, feio, burro, fraco, imbecil
etc. etc. etc. (tudo bem, poderíamos
ter pelo menos poupado um par de etc.). |
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CHAVES
& CHAPOLIN VÊM AÍ, OLÊ
OLÊ OLÁ! |
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Chaves & Chapolin
foram os primeiros programas exportados pela poderosa
Televisa. Até 1975, os dois programas
já eram exibidos em quase toda a América
Latina. E em 1978, a Argentina foi o penúltimo
país das Américas a comprar Chaves.
Até nos Estados Unidos Chaves
já era sucesso na hispânica emissora
Univisión. O Brasil foi o último
(lero-lero, lero-lero!). Em 1984, já havia
muitos anos que os brasileiros não ganhavam
a Copa... A ditadura felizmente já tinha
acabado... Estava tudo tão monótono
que, num belo dia, Silvio Santos não tinha
nada pra fazer, mas tinha dinheiro de sobra em
seu baú para comprar o Chaves
e um pacote de novelas da Televisa.
Agora vamos acabar de vez com o boato ridículo
de que o Chaves veio no meio
de um pacote de novelas que o Silvio Santos comprara
e que ele nem sabia que tinha o seriado ali...
Isso é um absurdo estúpido. Em 1984,
todos os donos das emissoras que exibiam Chaves,
ou seja, os donos de emissoras de todos os países
das Américas já conheciam muito
bem o poder do seriado, que sempre ficou em primeiro
lugar de audiência em cada um desses canais.
Silvio Santos, portanto, sabia muito bem o que
estava fazendo quando comprou Chaves
& Chapolin da Televisa.
É completamente fantasiosa e infantil a
idéia de que o Patrão apostou em
Chaves sozinho, que no início
só ele achava graça naquilo e que
estava "pagando pra ver" no que ia dar.
Conversa! Muito provavelmente o pensamento dele
foi o oposto de tudo isso, foi "só
falta eu comprar essa porcaria". E comprou.
Valeu, Silvio! |
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Mas voltando (e voltando mesmo!)... No comecinho,
podemos ver coisas estranhíssimas como
o famoso "episódio-piloto", considerado
a primeira gravação oficial de Chaves
com a história mais próxima do enredo
conhecido. Seu
Madruga e Chiquinha
já têm nome (Don Ramón
e La Chilindrina) e já são
pai e filha. Só que começam morando
na casa que depois seria a famosa casa 14, de
Dona
Florinda.
Os outros personagens foram sendo criados e,
até 1973, primeiro ano do programa oficial,
já existiam todos os principais: Seu
Madruga, Chiquinha,
Quico
e Dona
Florinda, que eram os quatro personagens "fixos",
com aparições garantidas em todos
os episódios, ao lado do Chaves.
Depois vieram o Senhor
Barriga, que nos primeiros programas não
tinha esse nome e ainda não era o dono
da vila, ele simplesmente cobrava os aluguéis;
a Bruxa
do 71, que no início era a vizinha
mais rica e metida, a dama da vila (depois a Dona
Florinda acabou assumindo mais esse papel
"da alta"); e finalmente o Professor
Girafales, que pode ser considerado o primeiro
personagem criado – nasceu em outro programa
de Chespirito,
"Los
Supergenios de la Mesa Cuadrada", de
1968. |
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1974.
CRIANÇA DESAPARECIDA |
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Quando você vê, no SBT, um episódio
de Chaves em que a Chiquinha
não aparece, pode garantir: é de 1974,
ano em que María
Antonieta de las Nieves ausentou-se do programa
por razões ainda não confirmadas por
ela. Alguns sites e livros por aí dizem que
foi para fazer um programa de variedades. O fato
de que esse programa realmente existiu, entretanto,
não necessariamente prova que ela deixou
o Chaves por esse motivo. Outros
dizem que a atriz ficou grávida e saiu para
ter o filho, o que é muito estranho porque
María
Antonieta não tem filhos "de sangue".
Ela registrou Gabriel e Verónica, filhos
de seu marido Gabriel Fernández, como filhos
dela, mas não é a mãe biológica.
Alguém pode alegar que ela pode ter perdido
o bebê, tudo bem, mas me parece estranho tirar
licença-maternidade durante 12 meses, sendo
que ela não teve o filho! Para não
correr o risco de inventar coisas da nossa cabeça,
afinal só a própria atriz poderia
confirmar qualquer das histórias, dizemos
apenas que ela não aparece nos episódios
de 1974. E que, felizmente, retornou no ano seguinte,
para ficar! Existe um episódio de 1975 marcando
esse retorno da Chiquinha,
que na história estivera esse tempo morando
em outra cidade com suas tias. |
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De 1975 a 1977, Chaves viveu
a sua "Era de Ouro". O sucesso foi tanto
que o grupo saiu da televisão para subir
palcos montados em estádios de futebol
que lotavam a cada apresentação.
Na lista das cidades contempladas com um teatrinho
oficial do Chaves
estão as capitais de Colômbia, Venezuela,
Peru, Equador, Chile etc. Neste último
(não o etc., o Chile), por exemplo, a Chavesmania
que invadiu o país em 1977 foi algo tão
impressionante que só pode ser comparada
à Beatlemania da década anterior.
Ao descer do avião, os atores foram surpreendidos
por uma massa de fãs incontroláveis
que driblaram a segurança para chegar perto
daqueles personagens apaixonantes que apareciam
na televisão e que agora estavam ali, em
carne e osso. E ao vivo! Muitos choravam, desesperados,
pela emoção de estar tão
perto de seus ídolos.
Em outra ocasião, na Colômbia, os
atores de Chaves foram convidados
pelo presidente do país e a primeira dama
para uma marcha social. Resultado: milhares de
pessoas lotaram as ruas de Bogotá de maneira
que este evento só encontra semelhança
histórica na visita do Papa João
Paulo II à capital. Com este feito, Chespirito
e seus companheiros ganharam um presentinho: a
cidadania colombiana. |
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1978
- AUGE E CRISE. VOCÊ NÃO VAI COM
A MINHA CARA?... ENTÃO TCHAU! |
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As viagens e apresentações em estádios
lotados eram constantes. Em 1978, portanto no auge
do sucesso, o grupo passou por sua maior e irreversível
crise até então: a saída de
Carlos
Villagrán, o Quico.
E definitiva! Esse acontecimento pode ser considerado,
sob certo ângulo, o "começo do
fim" de Chaves. Para agravar
tudo, essa saída não foi nada amigável
nos bastidores. De um lado, temos Carlos
Villagrán alegando que seu espaço
foi diminuído no programa porque o Quico
estava se destacando demais. Ele sempre afirma que
o Quico
se tornou mais popular que o próprio Chaves,
e que por esse motivo foi alvo de inveja por parte
dos demais colegas. Do outro lado, Chespirito
conta que Villagrán
queria cada vez mais espaço no programa e
que não aceitava ter o mesmo destaque que
a Chiquinha.
Já María
Antonieta ressalta que Villagrán
deixou o elenco quando Chaves estava
no ápice, em seu maior momento, para se aproveitar
do sucesso sozinho, ou seja, lucrar sozinho. Rubén
Aguirre (Prof.
Girafales) e Florinda
Meza (Dona
Florinda) também já deixaram claro,
em declarações, que foram contra a
atitude de Villagrán.
Edgar
Vivar, o Seu
Barriga, não comentou o caso, mas diz
que não considera o ator seu "amigo".
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E
SÓ NÃO TE DOU OUTRA PORQUE... VOU
EMBORA DAQUI! |
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Parece que, de todos, o único que ficou do
lado de Carlos
Villagrán, sem, no entanto, brigar com
os demais, foi Ramón
Valdés (Seu
Madruga). E, em 1979, foi a vez de o papai da
Chiquinha
abandonar a vila, o que pode ser entendido como
"o golpe final" na trajetória de
Chaves. Segundo Villagrán,
Ramón
saiu por consideração a ele, tanto
que os dois chegaram a trabalhar juntos nos programas
solos do "Kiko".
Isso mesmo, Kiko, com K, e não
mais "Quico".
Para poder continuar vivendo o menino bochechudo
vestido de marinheiro que chora de um jeito engraçado,
e ainda explorá-lo comercialmente, Villagrán
registrou o personagem com K, Kiko,
e criou seus programas de televisão próprios,
que foram gravados e transmitidos na Venezuela.
É claro que, sem os textos de Bolaños,
Kiko não chegou aos pés
do sucesso de Chaves. No Brasil,
o programa do Kiko
foi exibido na Rede Bandeirantes, em 1991, mas como
diria o próprio, "não deu":
não emplacou... |
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CHIQUINHA
ÓRFÃ E DONA FLORINDA SEM SEU TESOURO |
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Bom, mas Chaves continuou até
os primeiros meses de 1980, mesmo sem Seu
Madruga e Quico.
Na história, Dona
Florinda contou que Quico
foi morar com sua madrinha rica porque não
podia mais conviver com toda aquela gentalha (citado
no episódio "Vamos ao Cinema?",
primeiro sem o Quico);
já Chiquinha
explicou que seu papaizinho lindo deixou a vila
para procurar trabalho fora. Só que a menina
sardenta e chorona não poderia ficar sozinha
no mundo, então Bolaños
deu mais um papel para María
Antonieta, criando a velha Dona
Neves para cuidar de sua "biscaneta".
Enquanto isso, crescia o destaque dos personagens
Nhonho
e Pópis,
brilhantemente interpretados por Edgar
Vivar e Florinda
Meza, os mesmos Seu
Barriga e Dona
Florinda. E também aumentavam as participações
especiais de Horácio
Gómez como Godines.
Mas a Vila do Chaves
sem Quico
e Seu
Madruga não era mais a mesma. Na verdade,
tudo girava em torno do velho Madruga;
e Quico
exercia a fundamental função de
oposto do Chaves,
criando um ponto de equilíbrio. Era uma
espécie de vilão divertido que sempre
rouba a cena: apesar de tonto com T de tapado
e bem besta, ele tinha malícia e sempre
acabava judiando do pobre do Chaves.
Este não deixava barato e revidava a golpes
que, quando não acertavam o Seu
Barriga, acabavam acertando... O Seu
Madruga, que sempre chegava na hora errada!
A justa hora em que Dona
Florinda, a mãe superprotetora, aparecia
para defender seu filho que gritara "Mamãããe!"
enquanto desviava dos golpes do Chavinho,
ou que chorara "Arrrrrrr..." na parede,
quando não conseguia desviar. No fim das
contas, a Velha Coroca entendia que era o Seu
Madruga quem queria fazer mal a seu "tesouro"...
E tome tabefe na cara do pobre, porém honrado,
que nunca revidava. Para descontar sua raiva,
jogava o chapéu no chão com força
e o pisoteava.
E tudo por culpa de quem? Do Chaves
de novo, ou do Chaves
mesmo, que ganhava um belo cascudo seguido de
"Só não te dou outra porque...".
E o ciclo se encerrava com o Chaves
indo chorar seu "Pipipipipi" dentro
do barril.
Tudo isso era a chave do programa; repetia-se
exaustivamente em todos os capítulos, e
ainda mais de uma vez em um mesmo episódio.
Agora imagina toda essa história sem Seu
Madruga e Quico...
Qual seria a função da Dona
Florinda? Por quem a Bruxa
do 71 morreria de amores? Quem choraria na
parede da vila? De quem o Senhor
Barriga cobraria 14 meses de aluguel? E quem
cuidaria da Chiquinha? |
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Dona
Neves serviu para os cachorros, digo, serviu
para suprir a falta de um responsável para
viver com a Chiquinha
na casa 72. E também herdou a dívida
de 14 meses de aluguel do neto. Mas ainda assim
a vila era vazia e parecia ter perdido sua alma.
A solução encontrada por Chespirito
foi exatamente o que fizeram com o humorístico
"Sai de Baixo" quando o programa entrou
em crise: a criação de um restaurante!
O Restaurante de Dona
Florinda passou a ser o cenário principal. |
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SOU
CARTEIRO, NÃO SUBSTITUTO! |
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Um último acerto foi a criação
do personagem Jaiminho,
que fez muito sucesso com seu bordão "É
que eu quero evitar a fadiga...". O carteiro
de Tangamandápio era um personagem totalmente
novo e diferente de tudo anteriormente criado. Preguiçoso
e sempre bem humorado, ele roubou a cena nos episódios
do restaurante. Seu intérprete, Raúl
"Chato" Padilla, já era um
conhecidíssimo ator com dezenas de filmes
e peças de teatro no currículo. Foi
o primeiro ator convidado por Chespirito
após a formação original do
grupo. |
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Mas Chespirito
entendeu que o melhor a fazer era encerrar os programas
Chaves & Chapolin.
Ele chegou a gravar o "último capítulo"
do Polegar
Vermelho, em 1979. Em 1980, no entanto, foi
gravado o especial "Aventuras em Marte",
que o SBT já exibiu muito como se fosse "o
filme do Chapolin",
mas não é filme, é um formato
para televisão mesmo. A grande surpresa desse
especial foi a participação de Ramón
Valdés! O eterno Seu
Madruga fez um acordo com Chespirito
para fazer participações especiais
esporádicas em seu novo programa, Chespirito,
de 1980. |
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NEM
SÓ DE CHAVES E CHAPOLIN VIVE UM GÊNIO |
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O quadro Los Caquitos, uma antiga idéia
que Bolaños
já tinha usado no primeiro programa Chespirito
(1970-73) e de que vez ou outra gravava-se um
esquete para ser exibido antes de Chaves
ou Chapolin, foi retomado com
força total nesse novo programa Chespirito,
de 1980. Mais tarde esse quadro ganhou o nome
de El Chómpiras. A série
foi muito exibida no Brasil na CNT/Gazeta, em
1997, no programa Chespirito.
Nos primeiros Los Caquitos, dos anos
70, Chespirito
vivia o famoso ladrão Chômpiras
ao lado de Ramón
Valdés, que fazia o seu parceiro de
roubos, El Peterete. Com a saída
de Ramón,
Edgar
Vivar ocupou o espaço (sem referências!)
vestindo o pesado Botijão
(El Botija). Com o passar dos anos, ao
longo da década de 80, Chômpiras
e Botijão
foram abandonando o mundo do crime até
virarem trabalhadores honestos do Hotel Buena
Vista. Botijão
virou ascensorista do elevador do hotel e casou-se
com a camareira, Chimoltrúfia
(interpretação genial de Florinda
Meza). Já o Chômpiras
virou carregador de malas do mesmo hotel. Rubén
Aguirre atuou na série como o Sargento
Refúgio; e ainda participaram María
Antonieta como "Maruja",
Angelines
Fernández (a Bruxa),
como Dona
Nachita e Raúl
Padilla (o Jaiminho),
como o delegado
Morales. Participaram ainda dois atores convidados
para viver a mãe de Chimoltrúfia
e o dono do Hotel: Anabel
Gutiérrez e Moises
Suárez. Os dois foram tão bem
que integraram o elenco fixo do programa Chespirito
e gravaram muitos outros quadros. |
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E
POR FALAR EM FÍSICA QUÂNTICA... |
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Outra série de sucesso criada dentro do novo
programa Chespirito foi Los
Chifladitos, que depois mudou de nome para
El Chaparrón Bonaparte, protagonizada
por Chespirito
como o louco Chaparrón
Bonaparte e Rubén
Aguirre como o louco Lucas
Tañeda. Ao ler esse texto, Lucas
certamente dirá a seu amigo: "Chaparron,
sabia que as pessoas continuam dizendo que eu e
você estamos loucos?"... Esse quadro
também foi ao ar no programa Chespirito
na CNT; e contava com a participação
de Florinda
Meza como a vizinha
e de Horácio
Gómez como o pai
da vizinha. Mas todos os outros participavam
com diversos papéis. Até Ramón
Valdés chegou a gravar alguns episódios
de Chaparrón. |
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O velho Doutor
Chapatin, que já deve estar tendo coisas
por não ter sido citado até agora,
continou velho e com um quadro só pra ele,
no novo programa Chespirito. Chapatin
é o primeiro personagem "CH" criado
por Chespirito,
pois nasceu no programa 'Los
Supergenios de la Mesa Cuadrada' (1969). A única
diferença é que ele era doutor universitário
e depois virou médico. Bem, de qualquer jeito,
o Doutor
Chapatin é o primeiro personagem criado
de todos porque foi o primeiro que chegou no mundo.
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Para felicidade geral de todos os chavesmaníacos,
Ramón
Valdés voltou a viver o Seu
Madruga, além de gravar novos quadros
de Chapolin.
Nesses episódios, Chespirito
acabava se empolgando com a presença de Ramón
e aproveitava para gravar especiais de quase uma
hora de duração ou mais. No entanto,
era cada vez menor a participação
de Ramón
no programa Chespirito, até
que ele saiu definitivamente e montou o seu circo,
na segunda metade dos anos 80. Voltou a gravar com
Carlos
Villagrán, desta vez o seriado Ah,
qué Kiko!, o mais famoso dos programas
Kiko. Interpetava o dono de uma venda,
quem sabe a venda da esquina? |
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PELA
PRIMEIRA E ÚNICA VEZ, ELE FEZ ALGUÉM
CHORAR |
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Ramón
Valdés foi o primeiro ator de Chaves
a nos deixar. Morreu em 9 de agosto de 1988, aos
65 anos. Todos dizem que a causa de sua morte
foi câncer de pulmão. Pesquisando,
o Fã-Clube descobriu que
ele teve uma série de problemas de saúde
em decorrência de um câncer que começou
no cóccix. É claro que o fato de
ter fumado demasiada e descontroladamente durante
décadas agravou fatalmente o seu estado.
Dizem que até internado no hospital ele
fumava, escondido das enfermeiras.
A morte do Seu Madruga foi um choque muito grande
para todos os seus companheiros e admiradores.
Todos os colegas até hoje se emocionam
demais quando falam sobre ele. Entre os fãs,
a idolatria da imagem do Seu Madruga é
tamanha que se compara à adoração
a John Lennon, Elvis Presley, Che Guevara ou mesmo
Jesus Cristo. Os lemas "Seu Madruga não
morreu"; "Só Seu Madruga salva"
e semelhantes são cada vez mais constantes
em camisas, adesivos e outros produtos. É
um verdadeiro mito, cuja morte é de difícil
aceitação porque, afinal, ele está
vivo diariamente na televisão. E nos faz
rir até hoje. |
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Com o passar dos anos e o fim da década de
80, Chespirito
e seu elenco já estavam bem cansados e visivelmente
envelhecidos e mais gordos. O sucesso já
não era o mesmo. Os bons tempos já
tinham passado. O programa ainda conseguiu se manter
durante o início dos anos 90, mas os atores
sentiam que não era mais possível
gravar Chaves. Bolaños
já estava velho demais para viver um menino
de 8 anos. Portanto, por respeito ao público
e para não deixar virar algo grotesco, Chespirito
decidiu encerrar as gravações de Chaves,
definitivamente, em 1992. Tudo terminou num episódio
da escolinha, como todos os outros, sem nenhuma
despedida especial nem capítulo final. Foi
apenas o fim de um ciclo. |
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CHAPOLIN
OU "CHATO RESTO"? |
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Os quadros de Chapolin
conseguiram sobreviver até 1993, quando Chespirito
percebeu que um Chapolin
velho, sem movimentos friamente calculados, que
não podia mais pular nem cair direito, já
não fazia mais sentido. O programa Chespirito,
com seus outros quadros, ainda seguiu adiante, com
a criação de novas histórias
e séries como Dom
Caveira. |
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Em 1994, morreu a Bruxa
do 71, à idade de mesmo número.
Angelines
Fernández era tão fumante quanto
Ramón
Valdés. Causa da morte: câncer
de pulmão. Nos últimos anos de gravação,
ela engordou muito, devido ao uso de medicamentos,
e estava bastante envelhecida. Conta-se que Angelines
entrou em depressão quando o Seu
Madruga morreu, pois eram amigos íntimos
desde os anos 60. |
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EVITOU
A FADIGA PARA SEMPRE... |
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No mesmo ano, outra perda irreparável. Durante
as gravações do programa, Raúl
Padilla, o Jaiminho,
aos 76 anos, passou mal e foi internado. Sofria
de diabetes e não sobreviveu. Depois disso,
o programa ainda respirou por mais alguns meses,
terminando de vez em 1995. |
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DEUS
E CHAVES SÃO BRASILEIROS! |
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No Brasil, o fenômeno Chaves
& Chapolin chegou relativamente
tarde, em 1984. Erra quem pensa, portanto, que
"Chaves
é um ícone dos anos 80", simplesmente
porque todos os episódios que passam no
Brasil são dos anos 70.
O que garantiu o sucesso de Chaves
no Brasil não foi exatamente a tão
falada "grande sacada" do Homem do Baú.
Tampouco se deve à sua estréia no
Bozo ou no 'TV Pow'. Se Chaves
tem um imenso Fã-Clube
nacional hoje, e se ainda é líder
de audiência com suas reprises no ar há
mais de 20 anos, a culpa é da sua versão
brasileira! De seus dubladores!
Podemos dizer que esses artistas não apenas
"dublaram" a série, mas a recriaram
em português. |
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E
SUAS PRIMEIRAS PALAVRAS FORAM... "ESTOU CAÇANDO
LAGARTIXAS!" |
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O primeiro episódio exibido no idioma
de Camões foi "O caçador de
lagartixas". Ou seja, Chavinho
era recém-nascido no Brasil, vai ver é
por isso que sua voz era tão finiiinha...
Marcelo
Gastaldi, o maior responsável pela
Chavesmania, ainda não tinha acertado o
tom do personagem que o consagraria como o grande
mestre da dublagem.
Tudo começou assim: Chaves
era exibido às segundas, quartas e sextas.
E o Chapolin, às terças
e quintas. |
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POLEGAR!
VERMELHINHO! POLEGAR! VERMELHINHO! |
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O primeiro Chapolin foi "O
Cleptomaníaco", no qual Ramón
Valdés interpreta o Conde Terranova que
rouba os selos do colecionador Carlos.
O segundo foi "O Anel Mágico",
no qual Florinda
faz uma bruxa que tem um anel poderoso. O terceiro
foi o das pulgas, que antes de começar apresentou
o primeiro quadro do Doutor
Chapatin dublado nos estúdios Maga. |
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Mais de 20 anos após sua estréia
no SBT, o mundo de Chespirito
finalmente conquista o mercado de DVDs nacionais.
Em parceria com o Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil,
a empresa Amazonas
Filmes arregaçou as mangas e colocou
em prática um projeto ousado que encerra
o momento atual da "Era CH" no Brasil
com "Chaves de Ouro".
São DEZ caixas, cada uma com três
DVDs, ou seja, 30 discos recheados de episódios
inéditos no Brasil! São 12 de Chaves,
10 de Chespirito e 8 de Chapolin.
Pelo fato de a dublagem dos episódios clássicos,
que já passam no SBT, ter sido feita exclusivamente
para a televisão, uma nova dublagem fez-se
necessária. De qualquer forma, como a maioria
dos episódios é inédita,
haveria uma nova dublagem de qualquer jeito.
Para essa façanha, foram chamados os mesmos
deuses da dublagem: Carlos
Seidl (Seu
Madruga), Nelson
Machado (Quico),
Cecília
Lemes (Chiquinha),
Marta
Volpiani (Dona
Florinda), Osmiro
Campos (Prof.
Girafales) e Helena
Samara (Bruxa
do 71).
Apesar de deuses da dublagem, eles são
de carne e osso. E o tempo não esperou
todos. Os mestres Marcelo
Gastaldi (Chaves)
e Mario
Villela (Seu
Barriga/Nhonho)
já morreram. Estão bem representados.
E Silton
Cardoso, que fazia o Godines,
não foi encontrado, mas foi substituído
à altura. |
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UM
DESENHO ANIMADISSISSÍSSIMO |
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Lançada em 2006, a série animada
oficial de Chaves é uma
produção da Ánima
Estudios (empresa mexicana de animação
que é a maior da América Latina)
em parceria com Roberto Gómez Fernández,
filho de Bolaños,
e com a supervisão geral do próprio
Chespirito.
Os direitos de exibição e distribuição,
é claro, são da Televisa. A Ánima
leva cerca de duas semanas para realizar um único
episódio, pois se trata de uma animação
avançada e detalhista. Além de software
3D, o estúdio trabalha com a ferramenta
Adobe Flash para realizar as façanhas
da turma do Chaves em desenho animado.
É um trabalho muito bem feito e pensado.
Afinal, nada pode fugir muito do estilo do criador,
Chespirito. Ao todo,
são cerca de 100 especialistas trabalhando
na produção do desenho. Cada capítulo
custa mais de 200 mil mangos! A primeira temporada
traz 26 histórias, sendo 13 adaptações
de episódios originais da série
e 13 roteiros inéditos, abrindo novas possibilidades
para o mundo de Chaves.
O desenho não conta com a Chiquinha
pois os direitos autorais da personagem não
pertencem mais a Chespirito
e sim à sua intérprete, María
Antonieta de las Nieves. Não houve
acordo entre os dois e a menina pintadinha, banguela,
quatro-olhos e chorona ficou de fora da série.
Episódios sem a Chiquinha
lembram a temporada de 1974 de Chaves,
quando a atriz deixou a série para fazer
um programa solo - mas retornou à vila
em 75. Os fãs esperam que esse regresso
também aconteça no desenho!
Todos os países da América Latina
adquiriram a série animada. Seu nome original
é apenas "El Chavo". No Brasil,
foi lançada no primeiro dia do ano de 2007
com o nome de "Chaves em Desenho Animado".
A versão brasileira ficou a cargo da grande
Herbert
Richers, sob direção de Carlos
Seidl. Porém, uma parte da dublagem
é feita em São Paulo, com os dubladores
paulistas dirigidos por Herbert Jr.,
em estúdios da Álamo alugados pela
Herbert. O elenco de dublagem é quase o
mesmo dos DVDs da Amazonas
Filmes: Carlos
Seidl (Seu
Madruga), Marta
Volpiani (Dona
Florinda/Pópis),
Osmiro
Campos (Prof.
Girafales), Helena
Samara (Bruxa
do 71), Alexandre
Marconato (Godines)
e Gustavo
Berriel (Nhonho).
Os novos dubladores são: Marcelo
Torreão (Seu
Barriga), Waldir Fiori (Jaiminho)
e Sérgio Stern (Quico)...
Infelizmente, não houve acordo entre o
SBT e Nelson
Machado, o dublador oficial do Quico.
Detalhes nunca vistos e mistérios da série
originais poderão aparecer neste desenho,
graças aos recursos criativos de animação
deste projeto que permite uma visão inédita
da vila e de seus famosos inquilinos.
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Texto de Gustavo
Berriel
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