AS SÉRIES
Curiosidades

O apelido de Chespirito vem do famoso escritor inglês William Shakespeare. O cineasta Agustín Delgado chamou Bolaños de pequeno Shakespeare, pela sua baixa estatura e por seu talento como escritor. De Shakespearito, o nome acabou virando Chespirito.

ÍNDICE
> Era uma vez... Sergio Pena?!?!
> A exemplo de Cervantes, Chespirito criou o Chapolin
> Angelines Fernández... Miss Universo!
> Chapolin quase teve outro intérprete
> Boatos matrimoniais
> Dona Florinda escreve novelas
> Florinda Meza X Yoko Ono
> Chiquinha já teve programa solo
> Um homem chamado Enrique Segoviano
> Chespirito já ficou fora do ar no México
> Um exigente Chespirito
> O Restaurante de Dona Florinda surgiu por quê?
> Acima de tudo, personalidade
> TV mexicana homenageou Chespirito em 2000
> Acidente de avisão: FALSO
> Pópis fez com que Chaves perdesse um telespectador
> Chiquinha X Quico
> O episódio do cinema tem algo de especial
> A polêmica saída de Quico
> Seu Madruga tem uma afilhada e um primo no seriado
> Estrelismo em Chaves?
> Personagens nunca mais vistos
> Seu Barriga chora a morte do Seu Madruga
> Quico ou Kiko?!
> Construindo um Quico
> O dia em que Chapolin se despediu das telas da TV
> Prof. Girafales X Quico
> Elenco animal
> Ramón, ídolo até de Chespirito
> Sergio Mallandro na vila do Chaves
> "Mi papi es muy padre"
> Tinha que ser o Chaves mesmo!
> Chaves do Oito
> Você já comeu um Chapolin?
> Rir é o melhor remédio
> Chespirito compositor
> Emoção no Peru
> Prof. Girafales e Dr. Chapatin: velhos amigos
> Celebridade não come em paz
> O Polegar Vermelho podia ser amarelo, azul, preto, branco...
> Chaves italiano
> Quero ver outra vez seus olhinhos de noite serena
> Ingressos esgotados!
> O adeus de Quico ao Seu Madruga
> A verdadeira Serra Pelada
> Seria melhor ver o filme do Pelé!
> Seu Madruga na vida real
> Amizade eterna
> Caridade
> O Homem-Abelha dos Simpsons
> Quico chorou por causa da violência
> Você sabia que o Terremoto aconteceu de verdade?
> Você gosta das velhas?

Era uma vez... Sergio Pena?!?!
Era uma vez, no México, um homem chamado Sergio Pena. Era dono de um programa de televisão. Após conhecer Chespirito, o convidou para ter um espaço livre em seu programa. Isso foi em 1968. Chespirito criou uma série chamada "El ciudadano Gómez" (O cidadão Gómez). O primeiro de todos do elenco a conhecer Chespirito foi Rubén Aguirre (Professor Girafales), que participou de El ciudadano Gómez. Rubén era amigo de Sergio Pena e assim conheceu Chespirito.

O terceiro a entrar para o elenco foi nosso inesquecível mestre do humor, Ramón Valdés. Depois, uma moça que não sabemos quem é, trabalhou alguns meses com eles e logo foi substituída por María Antonieta, atriz, dubladora e dançarina, que sonhava em ser vedete e detestava a comédia. Chespirito mudou seus planos para sempre... Os quatro atores, juntos, realizaram o sucesso "Los supergenios de la mesa cuadrada" (Os supergênios da mesa quadrada), uma espécie de jornal humorístico, de que muitos já ouviram falar.

Detalhe que Chespirito já interpretava "Chespirito Chapatin" e Rubén Aguirre já vestia o famoso "Professor Rubén Aguirre Girafales"! O sucesso dessas duas primeiras séries foi tão grande que Chespirito foi ganhando cada vez mais espaço. Até que nasceram Chapolin e Chaves... Mas aí é outra história!

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Roberto Gómez Bolaños estudou engenharia, porém nunca a exerceu. Ele tem seis filhos (cinco filhas e um filho), todos do primeiro casamento. E já foi presidente da empresa cinematográfica da Televisa, a Televicine.

A exemplo de Cervantes, Chespirito criou o Chapolin

"Cervantes escribió el Quijote como una crítica a las novelas de caballería y, salvando las distancias, yo hice el Chapulín Colorado como el antihéroe latinoamericano en repuesta a los Batmanes y Supermanes que nos invadían desde el norte." - Chespirito

Assim como Os Lusíadas, de Luís de Camões, é considerada uma espécie de obra máxima da Língua Portuguesa, o livro equivalente para a Língua Espanhola é o Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Na época em que Cervantes escreveu esse romance, as novelas de cavalaria eram febre na sociedade; como uma crítica a este fato, o personagem-título do livro de Cervantes era um cavaleiro tresloucado viciado em novelas de cavalaria. A obra do escritor espanhol foi uma crítica original e inteligente: uma novela de cavalaria às avessas que, com humor e bastante ironia, fazia uma crítica a todas as outras novelas de cavalaria. A mesma coisa foi o que fez Chespirito, guardadas as proporções. Na década de 70 (quando foi criado o Chapolin Colorado), os poderosos super-heróis americanos eram febre não só no México, mas em toda a América Latina. E, como uma crítica bem-humorada e bastante irônica, Chespirito criou um anti-herói chamado Chapolin Colorado, um herói latino-americano. Cheio de defeitos, fraquezas e outras características humanas, o personagem de Chespirito, ao contrário dos fortões americanóides, sabia o que era o medo. E como! Foi, assim como o Quixote, uma inteligente crítica: um herói às avessas que, com humor e bastante ironia, fazia uma crítica a todos os outros heróis que tudo podiam e em nada se pareciam com os seres humanos.

Chipote chillón: este é o verdadeiro nome do que conhecemos como "marreta biônica" do Chapolin. O que não mudou foi o som (TÓIM!), o barulho da pancada é o mesmo. E por falar no barulho, ele aparece em um filme dos anos 50 no qual uma pessoa dá um soco na outro e aparece esse famoso som metálico, que foi adotado por Chespirito.

Angelines Fernández... Miss Universo!
Como muitos já sabem e já ouviram por aí, Angelines Fernández, a nossa querida e saudosa Bruxa do seten... Digo, digo, a Dona Clotilde, foi uma das mulheres mais belas de sua época. Vale lembrar também que, de todos os atores de Chaves, ela é a única que não é mexicana: é espanhola de Madrid! Que chique!!!

Angelines Fernández entrou para o elenco em 1971. No entanto, a personagem Bruxa do 71 só foi criada depois, em 73.

Chapolin quase teve outro intérprete
Pode parecer difícil de acreditar, mas Chespirito, quando criou o Chapolin Colorado, não pensava em atuar com o uniforme do super-herói. Aliás, Chespirito jamais pensou em ser ator. Ele passou a atuar quando, na época em que a televisão era somente ao vivo - não existia o videoteipe -, foi preciso substituir um ator que na hora não podia entrar em cena. Ele quebrou esse galho e passou a atuar na televisão. Mesmo assim, quando Bolaños criou seu personagem, não contava com a astúcia do destino, que lhe pregaria outro golpe: o ator que foi convidado a interpretar o Chapolin não aceitou o papel porque achou que o personagem não tinha futuro... (Que burro, dá zero pra ele!) Chespirito, então, teve que, ele mesmo, vestir o seu personagem.

Codinome Chapolin... Vocês sabiam que existe um piloto de Fórmula 1, o mexicano Luiz Dias, que, por serbaixinho, foi apelidado de " Luiz Chapulín Dias"? E outra: o baixinho Romário é conhecido como "El Chapulín" na Argentina. A disputa pelo apelido de "Seu Barriga" fica entre Maradona e Ronaldinho.

Boatos matrimoniais
Muitos pensam que Chespirito e Florinda tiveram filhos (até hoje sites e jornalistas espalham este boato); mas isso nunca aconteceu. Todos os 6 filhos de Chespirito (5 filhas e 1 filho) são do primeiro casamento, com Graciela Fernández. Outro grande boato é o de que Villagrán (Quico) já foi casado com Florinda... Isso é só pra quem adora fofoca!
Dona Florinda escreve novelas
Que coisa, não? Você se lembra da série especial de Natal, em que os personagens vão passar as festas na casa do Sr. Barriga porque a vila estava em obras? Pois é, assim que chega na luxuosa mansão, numa conversa com a Dona Neves, Dona Florinda afirma que não gosta de telenovelas! Ironicamente, a atriz que a interpreta, Florinda Meza, tornou-se, posteriormente, uma grande autora de telenovelas da Televisa. Uma das que ela escreveu, inclusive, teve o roteiro vendido ao SBT e foi produzida uma versão brasileira pela emissora brasileira com o nome de "Amor e ódio", em 2001, lembra? O nome original dessa trama é "La dueña". Tanto que, até na versão brasileira, a protagonista, personagem de Suzi Rêgo, era chamada de "A Dona". Outra bem sucedida telenovela escrita por Florinda (cujo tema musical, aliás, foi composto pelo seu maridão Chespirito) chamou-se "Alguna vez tendremos alas". Esta, contudo, não foi exibida nem adaptada no Brasil. O curioso é que, mesmo Dona Florinda tendo dito que não assiste às telenovelas, na casa do Sr. Barriga, há um capítulo em que a personagem se mostra totalmente fanática pelos dramalhões de seu país: no episódio do Hector Bonilla!

Florinda Meza X Yoko Ono
Dizer que Florinda Meza foi a causa da inimizade entre Roberto Bolaños (Chaves) e Carlos Villagrán (Quico) ou até da separação de todo o grupo e a decadência dos programas Chespirito (a lenda da Yoko Ono mexicana); é um boato não tão ridículo, mas tão falso quanto o do acidente de avião. Há fofoqueiros de plantão que insistem no boato de que Quico era casado com Dona Florinda antes de esta se casar com Chaves... E completam dizendo que ela foi o motivo da briga entre os dois atores. Esse é o jeito mais fácil e ignorante de explicar os conflitos. Dona Florinda e Quico podem já ter tido algum um caso, porém nunca se casaram. Já o romance entre Florinda e Chespirito dura até hoje. Eles são casadíssimos e vivem juntos e felizes há décadas.

Chiquinha já teve programa solo
Tudo começou no ano de 1971, quando o gênio Roberto Gómez Bolaños criou o Chapolin Colorado e logo depois o Chaves, e ela tinha apenas 21 anos. O tempo foi passando, passando, passando... até que chegamos na década de 90 e Chespirito decidiu encerrar de vez a carreira de seus personagens televisivos. Mas María Antonieta de las Nieves, ao contrário de seu "padrinho", não desistiu. Foi então que ela partiu para um programa solo na própria Televisa! Pois é, pois é, pois é, pois é... A Chiquinha já teve um seriado em que ela era a personagem principal e apenas as características visuais da personagem eram as mesmas (do Chaves dos anos 90). No mais, tudo era diferente do seriado que deu origem à personagem de María Antonieta de las Nieves: Chiquinha morava num orfanato (ou num convento, não sei bem, pois o lugar era cheio de freiras!) e aprontava mil e uma confusões, além de cantar e trazer convidados especiais (coisa rara em Chaves). Até hoje, María Antonieta veste a personagem em shows musicais.

María Antonieta de las Nieves (Chiquinha) tinha apenas 18 anos quando começou a trabalhar com Chespirito.

Um homem chamado Enrique Segoviano
Se há alguém que, junto com Chespirito e os demais atores de "Chaves" e "Chapolin", também é um grande responsável pelo sucesso das séries, esse alguém é Enrique Segoviano, o "homem por trás das câmeras".

Enrique Segoviano dirigiu as séries durante seus tempos dourados: décadas de 70 e início dos anos 80. Há quem diga que grande parte do sucesso de "Chaves" e "Chapolin" se deve ao talento e à direção de Segoviano.

Além das séries "Chaves" e "Chapolin", Enrique Segoviano dirigiu telenovelas da Televisa como "Sí, mi amor" (1984), "Ave Fénix" (1986) e a recente "Pobre Niña Rica" (2000).

Ponto eletrônico proibido em Chaves. Ao contrário da maior parte de programas mexicanos, inclusive as telenovelas, Chespirito nunca permitiu a utilização do famoso ponto eletrônico ("apuntador") em seus programas. Mais uma inovação do programa que sempre gostou de ousar com originalidade e astúcia.

Chespirito já ficou fora do ar no México
Pensa que uma emissora tirar os programas de Chespirito do ar é privilégio do Brasil? Não, não. No México, seu país de origem, os programas de Chespirito clássicos, Chaves e Chapolin, chegaram a ficar alguns anos fora do ar, enquanto em todos os demais países da América Latina e até em outros continentes, os seriados de Bolaños eram exibidos normalmente. Isso porque o Canal 2 (um dos canais da Televisa) havia decidido parar de transmitir programas humorísticos e passou a produzir somente telenovelas. Mas depois desse triste período para os mexicanos, a Televisa voltou atrás com a sua decisão e voltou a exibir os programas de Chespirito... Três vezes por dia e cinco dias por semana!!! Chespirito, em entrevista à Rede TV! disse que os seus seriados clássicos davam mais audiência que os programas de humor novos do Canal 2. E mais: os produtores de outras emissoras não queriam que seus programas entrassem no ar depois de Chaves ou Chapolin, pois, ao término dos clássicos, a audiência despencava. Sucesso é sucesso, não importa a época!

Exemplo. Certa ocasião, na Colômbia, o governo suspendeu as transmissões de 'Chaves'. Resultado: foi realizada uma manifestação no país, da qual participaram Chespirito e seus companheiros, pela volta do programa. Houve uma espécie de cortejo fúnebre simbólico, no qual carregavam uma televisão dentro de um caixão. E a TV foi sepultada, com todos os rituais característicos de enterro, em forma de protesto. O governo não teve escolha: voltou a exibir "Chaves"!

Um exigente Chespirito
"Eu não permitia as improvisações durante as gravações definitivas. Antes sim, nos ensaios gerais e gravados, havia pequenas improvisações, às vezes a produção ria e essas coisas até se adequavam ao personagem e à história do momento. Podia até sair boa, mas gravávamos novamente porque deve-se enquadrar bem a cena, ouvi-la bem. Então, o que ia ao ar já não tinha mais uma só improvisação."

Roberto Gómez Bolaños (Chaves)

Podemos observar, aqui, a exigência de Chespirito durante as gravações. Ele queria que, no final, tudo saísse perfeito, sem improvisações, sem erros.

Com certeza uma das coisas que os fãs mais gostariam de ver são os erros de gravação, as "falhas nossas" de Chaves e Chapolin. Essa curiosidade leva os fãs a procurarem ansiosamente por algum erro nos episódios: erros de continuidade, atores que acabam rindo nas cenas, objetos estranhos em cena etc. Esses "erros", de fato, existem e merecem um grande destaque.

Em 1975, o programa já era transmitido em vários países da América Latina. No México, alcançava 60 pontos de audiência, um recorde incrível para a época. Chaves já foi dublado em vários idiomas e chegou a ser visto em países como China, Japão, Coréia, Tailândia, Marrocos, Grécia, Angola, Rússia, Índia e Itália.

O Restaurante de Dona Florinda surgiu por quê?
Você certamente deve estranhar por que cargas d'água, de repente, o cenário principal da turma do Chaves mudou-se da imortal vila para um pequeno e azulado restaurante comprado pela Dona Florinda depois de uma engraçada comemoração de aniversário do Professor Girafales. O que aconteceu foi o seguinte: com as saídas de Carlos Villagrán e Ramón Valdés do elenco, Chespirito resolveu levar seus personagens para aquele boteco... digo, restaurante, a fim de dar mais fôlego ao programa, pois a vila sem Madruga e Quico era muito triste e sem enredo. Quando essa mudança na estrutura do seriado Chaves ocorreu, a personalidade de Dona Florinda também sofreu alterações. Ela, que era uma velha rabugenta e esnobe, passou a ser mais compreensível e amável não só com Chaves, mas com todos ao seu redor - mesmo que, às vezes, tivesse uma recaída e voltasse a ter aquele espírito de antes. As participações de personagens como Jaiminho, o carteiro, e Dona Neves, a biscavó de Chiquinha, também aumentaram com várias visitar ao restaurante. A comida da Florinda deve ser mesmo muito boa!

O último episódio do programa Chaves foi gravado em 1979. Mas o quadro 'Chaves' continuou a ser gravado dentro do programa Chespirito até 1992.

Acima de tudo, personalidade
"Se surgisse algo de que não gostasse, mesmo estando seguro de que seria um fator de êxito, eu o eliminava. Nunca pensei em satisfazer as pessoas, mas sim aquilo que condizia comigo. E tive a sorte de ser perseguido pelas elevadas audiências, que me destacam favoravelmente. Mas não me interessam as opiniões de pesquisas para saber o que o público quer para lhe dar isso ou aquilo... Não. Eu não perguntei de que frases gostariam no Chile, na Argentina, na Guatemala ou na Espanha. Coloquei as frases de que eu gostava, consciente de que algumas não teriam uma tradução muito fiel. Mas, finalmente, o público ficou satisfeito."

Roberto Gómez Bolaños (Chaves)

Talvez este seja um dos grandes segredos do sucesso de Chespirito: ele sempre escreveu descompromissadamente. Sem se preocupar com o que o público queria ver ou ouvir. Isso é raríssimo nos programas de televisão, principalmente aqueles que só querem saber da audiência, pouco se importando com a qualidade.

Chespirito nunca se preocupou com a audiência. Esta veio naturalmente, e talvez seja por isso que ela seja tão fiel, gigantesca e eterna.

Mesmo certo de que algumas frases e contextos nunca teriam uma tradução adequada em outros países, Roberto Bolaños os inseriu em seus roteiros. A dublagem é que teve que se virar para traduzir e adaptar as piadas da melhor maneira possível. E nós temos de bater palmas para a dublagem brasileira, em especial, que fez o melhor que pôde para manter sempre a magia dos roteiros de Chespirito.

Em números: o programa "Chaves" já chegou a ser visto por mais de 350 MILHÕES de pessoas por semana.

TV mexicana homenageou Chespirito em 2000
No primeiro dia de abril do ano de 2000, a emissora mexicana Televisa reservou todo o horário da sua programação para uma bonita e merecida homenagem a Roberto Gómez Bolaños. O programa se chamou "No contaban con mi astúcia" e teve momentos ímpares e inesquecíveis, como o abraço de Chespirito e Carlos Villagrán, após duas décadas sem se falar. Todos os atores vivos que atuaram com Chespirito participaram da emocionante homenagem e aos falecidos foram feitos bonitos tributos e dedicatórias. Foi realizado nesse programa especial um concurso com crianças e adultos vestidos como chiquinhas, quicos, chaves, florindas e madrugas e venceram aqueles que melhor imitaram os personagens. Um momento muito emocionante da homenagem foi quando as músicas clássicas de Chespirito, "Que bonita vecindad" e "Joven aún", foram brilhantemente interpretadas pela cantora María del Sol e por um coral.

Em 2000, a Televisa fez uma grande homenagem a Chespirito, transmitida por 12 horas ininterruptas, no sábado do dia primeiro de abril daquele ano. Uma das celebrações foi a transmissão de uma partida de futebol com o seu time do coração, o Necaxa, contra o Atlante. Placar: Necaxa 4 X 0 Atlante.

Acidente de avião: FALSO
O boato do acidente de avião com o elenco de Chaves, que teria causado a morte de toda a turma, é tão forte que boa parte dos brasileiros ainda toma isso como verdade. Quando houve a quebra desse boato tão amarrado no consciente coletivo, muitos não acreditaram e até se decepcionaram. Alguns até chegaram a dizer absurdos do tipo "o avião caiu sim, mas todos se salvaram". Outros ainda pensam que nem todos estavam no avião, mas que alguns morreram, sim, no suposto acidente. Desde que o primeiro idiota inventou a tal tragédia, "ressuscitar" o elenco na cabeça do povo tornou-se um trabalho muito complicado até hoje.

Pópis fez com que Chaves perdesse um telespectador
A sobrinha da Dona Florinda fez com que Chespirito perdesse um fiel telespectador e lhe causasse um certo arrependimento. Quando criou a parsonagem Pópis, a menina mimada, tonta e com voz fanha, Roberto Gómez Bolaños jamais pensou que poderia causar um problema na vida de um menino que, fanho como a Pópis, passou a ser ridicularizado pelos seus coleguinhas da escola. O pai do garoto, indignado, enviou uma carta a Chespirito dizendo que jamais voltaria a assistir a seus programas por tal motivo. Arrependido, Chespirito cancelou a segunda personagem de Florinda Meza por um ano. Depois desse período, Pópis voltou a aparecer nos capítulos de Chaves, só que com voz normal. Um exemplo de caráter do nosso ídolo, que sempre lutou para nunca deixar passar piadas preconceituosas em seus programas. Além disso, uma demonstração de bom senso e carinho com o público. O curioso é que, no Brasil, a Pópis foi dublada por Marta Volpiani com voz normal, só um pouco fina, no começo - quando deveria ser fanha - e, depois, Marta passou a usar a voz fanha - quando deveria ser voz normal. Mas voltando ao pai indignado, até hoje não se sabe se ele realmente deixou de assistir aos programas de Chespirito ou se não resistiu e cedeu à tentação. Ah, conta tudo pra sua mãe, Bolaños!
Chiquinha X Quico
"Na melhor época do grupo, estávamos tão ocupados trabalhando, fazendo programas de TV, que não podíamos ir trabalhar em tudo o que nos pediam em toda a América Latina. E ele, graças ao programa, explorou a nossa imagem – perdão que eu o diga assim, mas sempre falei isso de maneira clara. E ganhou o que quis com o nome do personagem, trabalhando fora da vila do Chaves, o que nós não tínhamos tempo de fazer."

María Antonieta de las Nieves (Chiquinha)

Esse depoimento de María Antonieta expressa a indignação dela com Villagrán. Ela não se conforma pelo fato de Carlos Villagrán ter deixado o grupo para fazer sucesso sozinho com o personagem Quico, aproveitando a época de maior sucesso de "Chaves". Ocupados com as gravações na vila do Chaves, os demais atores não tinham tempo de viajar por toda a América Latina a trabalho, como fez Villagrán ao deixar o grupo.

A saída de Maria Antonieta. Não foram só Quico e Seu Madruga que resolveram sair do seriado. Chiquinha (María Antonieta) também teve sua fase "rebelde". Foi no ano de 1974. No entanto, retornou um ano depois. Isso explica a quantidade razoável de episódios de 'Chaves' nos quais a Chiquinha não aparece.

O episódio do cinema tem algo de especial
É verdade que todo episódio, seja de Chaves, Chapolin ou qualquer outro programa de Chespirito, sempre tem algo de especial, diferente, marcante. Mas o episódio de Chaves em que todos vão ao cinema assistir ao filme do Pelé possui algo ainda mais especial. É que esse foi o primeiro episódio filmado depois que Quico deixou de vez o elenco do seriado. Neste capítulo, Dona Florinda diz ao Seu Madruga que "Quico foi morar com sua madrinha rica", pois isso ajudaria na sua educação. Esta foi a explicação que Chespirito deu, no seriado, para o repentino sumiço do personagem. Pode-se ver no rosto da personagem de Florinda Meza uma certa tristeza; ou seja, ela deu mais força à explicação de Chespirito, auxiliando o andar do roteiro. Aliás, fica difícil imaginar como uma mãe totalmente coruja como a Dona Florinda tivesse resolvido "entregar" seu filho a outra mulher, mesmo sabendo que isso seria para um melhor futuro de seu xodó.

A polêmica saída de Quico
"Começou a haver um pouco de inveja e egoísmo por parte dos outros companheiros, porque o que mais se destacava era o Quico – o personagem Quico, não Carlos Villagrán. Os motivos: o pitoresco, as bochechas inchadas, a forma de chorar... Tudo isso era como que mais chamativo, não? E então começou a haver distanciamento e todo esse tipo de coisas. E, bom, eu... Preferi sair do programa antes que me tirassem. A María Antonieta, por exemplo, sempre teve inveja do personagem Quico. Não sei por quê. Talvez porque ele se destacava mais do que a mesma Chiquinha; então ela foi criando coisas em entrevistas, falando mal do personagem ou de Carlos Villagrán."

Carlos Villagrán (Quico)

Aí está a explicação de Villagrán para sua saída: sentiu que seu personagem era invejado pelos próprios companheiros de grupo e preferiu se retirar antes que o tirassem. Vale lembrar que essa é a visão de Carlos Villagrán. E que os outros contam uma versão diferente para a história. Chespirito, Florinda, Rubén Aguirre (Prof. Girafales) e María Antonieta (Chiquinha) são contra a posição de Villagrán desde sua saída em 1978. Edgar Vivar (Sr. Barriga) não se pronunciou a respeito e Ramón Valdés (Seu Madruga) foi o único que apoiou seu amigo Carlos. Ainda há muitas dúvidas no ar e pontos de vista diferentes. Não existe uma única verdade.

Seu Madruga tem uma afilhada e um primo no seriado
A família Madruga não acabou quando faleceu o seu tio Jacinto, cuja morte rendeu ao nosso Madruga uma herança e tanto: um terno usado. Chespirito, dessa vez por necessidade, criou dois personagens que se apresentaram como parentes do nosso querido Seu Madruga. O primeiro foi o Seu Madroga, um primo bem parecido com ele, que surgiu num episódio cancelado pelo SBT, cuja história é quase idêntica a um outro episódio (na verdade, uma versão posterior) em que Quico fica preso dentro de uma caixa de madeira. Madroga tem todas as características do Seu Madruga (que não participou desse episódio por motivos óbvios - leia adiante) e chegou, inclusive, a dar um daqueles cascudos no Chaves. Chespirito criou às pressas o Seu Madroga porque Ramón Valdés teve problemas de saúde e por isso não pôde comparecer às gravações desse capítulo especificamente. Outro caso parecido é o de Malicha. Esta personagem aparece em apenas três episódios, não exibidos no Brasil, e foi criada por Chespirito para substituir a Chiquinha, que havia saído do elenco em 1974 para gravar seu programa solo. Depois desse período, María Antonieta de las Nieves resolvou voltar ao Chaves e Malicha desapareceu do mapa (ou melhor, da vila!).

} O nome original do Seu Madruga é Ramón (o mesmo nome do ator na vida real). E o da Chiquinha é Chilindrina.

Estrelismo em Chaves?
"A equipe joga bem quando todos formam um conjunto. Por isso, deve-se evitar o estrelismo, o que me inclui também. Houve programas dos quais me falaram que quem menos apareceu foi o próprio Chaves. Tudo bem, porque a trama não requeria que eu aparecesse mais que os outros. Sempre tomei cuidado com isso."

Roberto Gómez Bolaños

Aqui, Chespirito faz uma referência indireta, uma crítica implícita a Carlos Villagrán (Quico), que, em determinado momento do programa, pediu mais espaço, mais importância no programa. Todos sabem que o personagem Quico fez muito sucesso e se destacou demais, talvez até mais do que o próprio Chaves. Bolaños, de maneira muito inteligente, explica essa situação, dizendo que o próprio Chaves não precisava aparecer mais do que os outros personagens, porque o enredo e o contexto da história não pediam isso.

Quando Villagrán, baseando-se em seu visível sucesso, pediu mais espaço a Chespirito, este provavelmente deve ter lhe explicado, com as mesmas palavras, essa questão do não-estrelismo em seu programa. Foi então que Villagrán resolveu se afastar.

Personagens nunca mais vistos
Em alguns capítulos de Chaves, existem personagens que fazem uma participação superespecial e nunca mais dão as caras na vila novamente. Um bom exemplo disso é o Sr. Furtado. Quem não se lembra do episódio em que ele começa a roubar objetos da vila e todos acabam acusando o pobre Chaves de ladrão? Temos também o Sr. Federico. Quem é? Ora, é o pai de Quico - que descansa em pança. Ele apareceu rapidamente no episódio em que todos recordam momentos gostosos da vida através de álbuns de fotografias. Uma personagem que aparece em poucos capítulos, inéditos no Brasil, é a Dona Eduvijes Fajardo, chamada pelas crianças de Louca da Escada. Ela é uma espécie de segunda Dona Clotilde: é feia, temida pelos meninos e dá em cima do Seu Madruga. Mais uma personagem-estepe? Pode ser. Mas nunca mais foi vista.
Seu Barriga chora a morte do Seu Madruga
"Quando ele morreu, eu estava regressando da Guatemala. Estava descendo do avião quando o pessoal da companhia me disse: 'Ah, Senhor Barriga... Olha, Don Ramón morreu...´Muita gente, muitíssima gente estava no enterro. As pessoas nos davam os pêsames. Quando Ramón Valdés foi enterrado, todos começaram a aplaudir..."

Edgar Vivar (Sr. Barriga)

Edgar (Sr. Barriga) se emociona muito ao dar esse depoimento. Ele fala pausadamente, como se estivesse lembrando cada detalhe daquele triste dia de 1988 em que perdeu seu grande e talentoso amigo: Ramón Valdés, o Seu Madruga.

Ramón Valdés faleceu de câncer e enfarte em 9 de agosto de 1988.

O Godines era interpretado por Horácio Gómez Bolaños, irmão de Chespirito. Horácio morreu em 21 de novembro de 1999, vítima de enfarte. Além de Horácio, também morreram Ramón Valdés (Seu Madruga), em 9 de agosto de 1988, Raúl Padilla (Jaiminho, o carteiro), em 3 de fevereiro de 1994, e Angelines Fernández (DonaClotilde), em 25 de março de 1994. :-(

Quico ou Kiko?!
Quico, Kiko, Kico, Quiko... que confusão! Afinal, como se escreve o nome do personagem de Carlos Villagrán? Simples: Quico é o nome do personagem criado por Chespirito. Quando Carlos Villagrán deixou o elenco para ter seu próprio programa solo, registrou o nome Kiko. Portanto, Quico é o garoto que vive na vila do Chaves, e Kiko é o personagem de Carlos Villagrán em seus programas solo - alguns capítulos de Kiko até passaram no Brasil há um tempo, pela então TV Bandeirantes.
Construindo um Quico
"Fazer um papel é como fazer um sanduíche: coloco um pouco mais de manteiga e outros ingredientes a meu gosto. Provo, vejo o que está faltando... Eu fui o enriquecendo, não? Fui acrescentando coisas, porque eu sabia que podia fazer: ´arrrrr...´e apliquei isso no choro do Quico. Mas ninguém sabia que eu podia fazer esse som gutural, só que eu o apliquei a Quico para enriquecer o personagem. Então eu fui o formando. Ninguém sabia que eu podia falar com as bochechas inchadas, que é uma facilidade que tenho, e acrescentei isso ao personagem. Então eu digo que eu fui o fazendo, fui o enriquecendo. Fui respeitando um roteiro que me deram, mas o personagem em si, cada um foi formando o seu. Tive que aprender o idioma português... Aprender a dublar meu próprio personagem, porque estamos acostumados a ouvir o Quico gritar bem agudo: ´Mamãe!! O Chaves me bateu!´. Mas no Brasil, o que me dublou o fez mais nasal, mais cerrado: ´Mamãe, o Seu Madruga...´. Então, eu tive que aprender a imitar o que me dublou para que pudesse haver semelhança entre imagem e áudio."

Carlos Villagrán (Quico)

Esse é o argumento de Carlos Villagrán para o fato de ter registrado o personagem criado por Chespirito, Quico, em seu nome, como "Kiko". Tudo bem que Villagrán tenha enriquecido o personagem com seu talento insuperável, mas ele não pode negar que a criação-primeira (obra-prima) do personagem é da autoria de Chespirito.

Villagrán sempre mostrou grande preocupação com a imagem do Quico em outros países. Ele pesquisou a dublagem brasileira de Nelson Machado para aplicar mudanças em seu personagem de modo a equiparar as falas. Isso mostra a competência e o profissionalismo ímpares de Carlos Villagrán.

O dia em que Chapolin se despediu das telas da TV
Tudo um dia acaba. E o Chapolin também acabou. Quando Chespirito resolveu desistir de continuar fazendo seus programas, depois de mais de 10 anos ininterruptos, produziu o capítulo final do Chapolin, em 1979, que não vemos no Brasil. Nele, o nosso herói recorda os melhores momentos da série e os atores Rubén Aguirre, Edgar Vivar e Florinda Meza conversam sobre o personagem criado por Chespirito. Eles dizem que o Chapolin é um herói humano, numeram suas virtudes e também relembram momentos da série. No final, Chespirito agradece ao público por tê-lo prestigiado durante mais de uma década, parabeniza seus amigos atores e também a equipe técnica, dando mais destaque ao diretor do programa, seu amigo Enrique Segoviano. As últimas palavras do Chapolin Colorado em seu capítulo final são, obviamente: "Sigam-me os bons!" Depois disso, mostra-se a equipe desmontando e esvaziando o cenário, como um adeus definitivo. Mas não foi tão definitivo assim, pois nos anos 80 o personagem voltaria às telas, só que não num programa seu, mas sim em esquetes do novo programa Chespirito, que aqui no Brasil vimos com o nome de Clube do Chaves.
Prof. Girafales X Quico
"Eu o levei a uma festa e o sentei no colo. Pirolo, esse era o nome do personagem que ele fazia: um boneco de ventríloquo chamado Pirolo. Roberto viu e gostou tanto que o contratou... Então, fico muito decepcionado com o fato de alguém que eu tenha recomendado tenha se comportado de forma tão suja, tão... Pouco digna, verdade?, como ele se portou. Todos temos provas de que, aonde foi, Carlos falou mal de Roberto. Isso foi traição."

Rubén Aguirre (Prof. Girafales)

Rubén Aguirre (Prof. Girafales) também mostra-se indignado com a atitude de Villagrán de ter deixado o grupo para fazer sucesso sozinho. Acho que Rubén nunca esperava isso do amigo que ele apresentou a Chespirito anos antes. Como Rubén sempre foi muito amigo de Chespirito, é natural que ele tenha se posicionado dessa forma quanto a essa questão.

Topo

Elenco animal

"Cervantes escribió el Quijote como una crítica a las novelas de caballería y, salvando las distancias, yo hice el Chapulín Colorado como el antihéroe latinoamericano en repuesta a los Batmanes y Supermanes que nos invadían desde el norte." - Chespirito

Assim como Os Lusíadas, de Luís de Camões, é considerada uma espécie de obra máxima da Língua Portuguesa, o livro equivalente para a Língua Espanhola é o Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Na época em que Cervantes escreveu esse romance, as novelas de cavalaria eram febre na sociedade; como uma crítica a este fato, o personagem-título do livro de Cervantes era um cavaleiro tresloucado viciado em novelas de cavalaria. A obra do escritor espanhol foi uma crítica original e inteligente: uma novela de cavalaria às avessas que, com humor e bastante ironia, fazia uma crítica a todas as outras novelas de cavalaria. A mesma coisa foi o que fez Chespirito, guardadas as proporções. Na década de 70 (quando foi criado o Chapolin Colorado), os poderosos super-heróis americanos eram febre não só no México, mas em toda a América Latina. E, como uma crítica bem-humorada e bastante irônica, Chespirito criou um anti-herói chamado Chapolin Colorado, um herói latino-americano. Cheio de defeitos, fraquezas e outras características humanas, o personagem de Chespirito, ao contrário dos fortões americanóides, sabia o que era o medo. E como! Foi, assim como o Quixote, uma inteligente crítica: um herói às avessas que, com humor e bastante ironia, fazia uma crítica a todos os outros heróis que tudo podiam e em nada se pareciam com os seres humanos.

Ramón, ídolo até de Chespirito
"Sinto uma espécie de inveja – da boa – acerca de suas faculdades de expressividade. Ramón podia fazer um gesto qualquer e alguém caía na gargalhada. Eu penso que não poderia encontrar um desses numa noite em uma rua qualquer. Logo de cara, um sorriso... Eu o adorava porque era de uma simpatia genial. Um pouco descuidado, sim; ele não chegou a atuar o quando poderia, não por falta de talento, mas sim porque não tinha muito interesse nisso."

Roberto Gómez Bolaños (Chaves)

Esse discurso poético de Chespirito descreve bem o inesquecível Ramón Valdés, o eterno Seu Madruga. Bolaños já disse também, em outra ocasião, que Ramón Valdés foi o comediante que mais fez ele rir.

Chespirito já declarou que Ramón Valdés (Seu Madruga) foi o homem que mais o fez rir em sua vida.

Sergio Mallandro na vila do Chaves

Antigamente, bem antigamente, o apresentador Sergio Mallandro tinha um programa infantil no SBT. Ele, aliás, já chegou até a apresentá-lo na Globo. Mas na época em que esteve no SBT com seus famosos quadros como a Porta dos Desesperados, Sergio Mallandro gravou uma música que falava sobre todos os personagens do Chaves. É um tipo de rock cantado tanto por ele quanto pelos dubladores da série. Confira a letra:

Foi sem querer querendo - Sergio Mallandro

Seu Madruga, corre aqui e venha ver
o que está acontecendo:
O Quico, a Chiquinha e o Chaves
estão se mordendo.
Dona Florinda veio logo dizendo:
"Esta gente só atrapalha,
vamos, tesouro, não se misture
com essa gentalha!"
Daí a Bruxa do 71 se arrumou pra aparecer,
jogando charme pra cima do Seu Madruga,
que nem queria ver;
o Quico, distraído com a briga,
não viu que atrás dele vinha o Seu Barriga,
que escorregou na casca de banana
que o Chaves jogou.

Foi sem querer querendo!
Foi sem querer querendo, você viu?
O Chaves vive dizendo que foi sem querer querendo
e se escondendo no barril.

E a Chiquinha, aproveitando a bagunça,
resolveu se divertir,
amarrando o sapato do Quico só pra ele cair;
Seu Madruga, que de longe espiava,
correu pra ajudar, mas ele se ferrou:
escorregou na casca de banana
que o Chaves jogou.

De repente, tudo mudou:
o Professor Girafales chegou;
Dona Florinda, toda apaixonada,
vendo aquelas flores, ouviu músicas no ar...
e começaram a cantar!
E de repente... quando iam se beijar...
apareceu o Chaves...
Para... atrapalhar!


Em tempo: também quando era do SBT, Sergio Mallandro tinha em seu programa um quadro que apresentava no palco ao vivo uma espécie de show diário em que ele interpretava um garoto travesso que vivia numa vila com uma garota esperta e outros personagens. Claramente copiado da vila do Chaves!

• Chapolin X Chapelin... Em 1990, Chapolin era transmitido em horário nobre no Brasil, ou seja, concorria com o Jornal Nacional... E ganhava! Mais tarde, nesse mesmo horário, foi ao ar a famosa novela Carrossel.

"Mi papi es muy padre"
Esse é o nome da música que Chiquinha (María Antonieta de las Nieves) cantou para o seu pai, Seu Madruga (Ramón Valdés) quando este foi para o céu. María Antonieta conta que, quando soube da morte de Ramón, estava dando uma entrevista coletiva. Aliás, foi uma jornalista que perguntou a ela se já sabia o que acontecera. Ela não sabia. Naquele dia mesmo, 9 de agosto de 1988, muito abalada, Antonieta ainda foi fazer um show. E o dedicou a seu "pai", Seu Madruga. No final desse show, cantou uma música em homenagem ao pai: "Mi papi es muy padre" ("Meu pai é muito legal"). Sempre que canta essa música, Chiquinha canta essa música e se emociona muito.

Tinha que ser o Chaves mesmo!
Em espanhol, o Chaves é quase sempre chamado não só de Chavo, mas de Chavo del ocho - o que significa "Garoto do oito", mas aqui é traduzido para "Chaves do oito". Só que raramente nós ouvimos, num episódio dublado, o Chaves ser chamado de Chaves do oito. Então qual é o truque que a dublagem usava para preencher toda a fala dos atores quando eles falavam "tenía que ser el Chavo del ocho" se, aqui no Brasil, ele é quase sempre chamado somente de Chaves? A resposta é a seguinte:

Espanhol: ¡Tenía que ser el Chavo del ocho!
Português: Tinha que ser o Chaves de novo! (ou mesmo)

Chaves do Oito
Vocês sabem por que o programa original tem esse nome? Não é porque ele mora na casa número 8 (isso ele só contaria tempos depois de o programa ter sido inventado com esse nome). Tampouco porque o Chaves tem oito anos. A causa do "del Ocho" é simplesmente devida ao canal de televisão em que o programa foi exibido: canal 8 do México.

A série "El Chavo del Ocho" (O Chaves do Oito) se chama assim porque 8 era o número do canal querimeiro a transmitiu, a TV TIM. Toda a série, com todos os seus personagens, foi criada por Roberto Gómez Bolaños e ele não permitia que os atores improvisassem em cena. Antes das gravações, eles se reuniam na cafeteria da emissora, onde Chespirito entregava-lhes os roteiros do dia e explicava o que queria em cada cena. Aí então os atores davam suas sugestões, que seriam aceitas ou não.

Você já comeu um Chapolin?
Se você pensa que já viu gente comendo de tudo nos reality shows que passam por aí, está enganado. No México, uma comida exótica - bem exótica, por sinal - é uma espécie de gafanhoto avermelhado frito e crocante. Que delícia, não? O nome do bicho, digo, do prato, bem, dos dois, é chapulín. Portanto, enquanto a América do Norte tem lá seus homens-morcego e homens-aranha, nós da América Latina temos um homem-gafanhoto-comestível! Vai encarar?!

Rir é o melhor remédio
Um fato que Chespirito sempre se recorda emocionado é a história de um senhor peruano que estava doente, sem poder falar ou mover os músculos da face voluntariamente. Este senhor adorava ver o programa do "Chapolin". Os médicos não encontraram uma explicação para o seu estado. Um dia, vendo o programa, o senhor gritou "Chapolin!" e sorriu, o que impressionou e emocionou seus parentes e os médicos. Chespirito ficou sabendo disso por uma carta que os familiares do homem lhe enviaram. Essa é uma grande história de amor, que prova mais uma vez que sorrir é o melhor remédio, como nos disse Edgar Vivar (Sr. Barriga) ao explicar por que largou carreira de médico para ser comediante.

Chespirito compositor
Como já vimos, Florinda Meza Meza já escreveu novelas para a Televisa depois de viver a Dona Florinda do Chaves. Mas o que não vimos ainda, e vamos ver agora, é que Chespirito, sempre junto de sua esposa, participa dos projetos dela assim como ela sempre participa dos dele. Tanto é que Roberto Gómez Bolaños, inclusive, compôs a música que foi tema da novela de Florinda chamada "Alguna vez tendremos alas", de 1997. A canção, com o mesmo nome da novela, foi cantada por Carlos Cuevas e é um bolero muito romântico.

Eis a letra:

Alguna vez tendremos alas - Roberto Gómez Bolaños

Y alguna vez tendremos alas
para volar, volar y volar...
Y al terminar cada jornada,
en una estrella poder descansar.
Tú tienes la culpa de todas las cosas
que me están pasando.
Tú eres la culpable que apesar del tiempo
yo te siga amando.

Tú tienes la culpa de que nunca pueda
dormir sin soñarte.
Tú eres la culpable de que sea imposible
vivir sin mirarte.

Tú tienes la culpa de llenar mi vida
de tantos temores.
Tú eres la culpable que haya fracasado
con nuevos amores.

Y como es muy cierto que tienes la culpa
de lo que me pasa,
te impongo el castigo de vivir conmigo
por siempre en mi casa.

Emoção no Peru
Certa vez, em uma visita do elenco de "Chaves" no Peru, Roberto Gómez Bolaños conta que lhe ocorreu uma das coisas mais marcantes de sua vida. Ele descansava em seu trailler quando um menino bateu na sua janela. Ele abriu e o garoto lhe disse: "Eu tenho você... Eu tenho você." Chespirito ficou desconsertado e sem entender o que ele lhe dizia. Então o garoto tirou de seu bolso um pequeno boneco de plástico do Chaves e lhe mostrou. Isso comoveu tanto Chespirito que, em entrevistas, ele diz que essa é uma das histórias que mais lhe causaram impacto.

Prof. Girafales e Dr. Chapatin: velhos amigos
Dois dos primeiros personagens de Chespirito foram o Professor Girafales e o Dr. Chapatin. Eles ficavam sentados frente à uma mesa junto com Ramón Valdés e María Antonieta de las Nieves num programa chamado "Los supergenios de la mesa cuadrada". Eram personagens muito debochados que recebiam cartas fictícias dos telespectadores e davam-lhes respostas absurdas. O programa tirava sarro das notícias do dia; era um humor sutil e datado, repleto de sátiras aos costumes e notícias da época (final dos anos 60).

Celebridade não come em paz
Na Era de Ouro de Chaves, em uma das viagens do grupo ao Chile, Ramón Valdés uma vez perdeu o controle e gritou com uma fã desesperada. Que fique bem claro aqui que o temperamento de Ramón era o mais doce possível e nem tinha aqueles ataques nervosos do seu personagem da vila. Sempre tratou seus fãs com muito carinho e atenção. Naquele dia, infelizmente, quando tomava um prato de sopa no restaurante do hotel em que estava hospedado com o grupo, foi abordado por uma fã em desespero. Ela pediu insistentemente um autógrafo, gritando e sacudindo Ramón. Dizem que ela meteu o papel entre o prato de sopa e a cara de Ramón, no instante em que ele comia. Nesse momento, ele se levantou da cadeira e gritou: "Por favor, senhora, quer me deixar comer?!!".

O Polegar Vermelho podia ser amarelo, azul, preto, branco...
Quando Chespirito criou o personagem e foi fazer seu uniforme, os únicos tecidos que havia na Televisa eram das seguintes cores: amarelo, vermelho, preto, branco e azul. Preto é cor de luto, relacionada a morte e coisas tristes, portanto estava descartada. Branco é uma boa cor, mas não para a televisão, pois podia dar muitos reflexos e prejudicar as imagens. Azul não era ideal porque Chespirito já previa o uso de um efeito especial chamado chroma key, que funciona colocando uma imagem através da outra. A imagem nova entra em todos os pontos azuis da imagem original. Portanto se o Chapolin fosse azul, ele "desapareceria" em alguns casos (como se tivesse bebido o verniz invisibilizador). Só restavam então as cores amarela e vermelha, que acabaram se tornando as cores oficiais do uniforme do Chapolin.

Chaves italiano

Nem Ramón, nem Madruga. Na Itália, o personagem que mais se destaca no seriado "Chaves" ganhou o nome Bartolomeo. Aliás, que "Chaves" que nada! O título italiano virou " Cecco della Botte ". Isso mesmo, Chaves na Itália é "Cecco" (pronuncia-se: 'Tchêko').

O fenômeno mundial Chaves & Chapolin conquistou a Itália há mais de duas décadas e a versão mais nova do programa lá recebeu o nome de " Un'autentica peste" (Uma autêntica peste). Os personagens também receberam nomes diferentes e engraçados. Confira abaixo.

* Conheça o nome dos personagens na Itália e seus dubladores italianos:

CECCO (Chaves): Mino Caprio

Sig. BARTOLOMEO (Seu Madruga): Piero Tiberi

CHICCO (Quico): (não descobri o nome do dublador)

CHIQUIRITA (Chiquinha): Monica Ward

Prof. CACCIAPALLE (Prof. Girafales): Michele Kalamera

Florinda permanece com o mesmo nome, e foi dublada por duas atrizes: Liliana Jovino e Cristina Dian . Clotilde também permanece, sendo que "bruxa" em italiano se diz "strega". Jaiminho muda para o original, Jaimito.

Quero ver outra vez seus olhinhos de noite serena
Você certamente se lembra do magnífico episódio em que Chaves e Quico aprendem a violar tocão... digo, tocar violão com o Seu Madruga e o Professor Girafales, respectivamente. E também do episódio em que o Chapolin tem que se fingir de boneco de ventríloquo porque destruiu o simpático Sinforoso pensando que ele era um robô maligno, certo?

Pois bem, o que há em comum nesses dois episódios? A resposta é a canção:
Quero ver outra vez
seus olhinhos de noite serena;
quero ouvir outra vez
suas palavras acalmando a minha dor.

Essa música não foi composta por Chespirito e nem foi criada somente essa parte especialmente para os episódios em questão. Ela realmente existe e já foi regravada por vários intérpretes mexicanos! Veja a letra abaixo, cantada por Cornelio Reyna:

Quiero ver
Quiero ver otra vez
tus ojitos de noche serena;
quiero oír otra vez
tus palabras calmando mis penas;
no hay razón, dulce bien,
que me trates como un extraño;
siempre soy el que ha sido,
no me pagues con un desengaño,
mira, negra, me hagas mucho daño.
Y quisiera, sobretodo,
un poquito de esperanza;
tú te has vuelto muy esquiva,
muy dada a la desconfianza;
no hay razón, dulce bien,
que me trates como un extraño;
siempre soy el que ha sido,
no me pagues con un desengaño,
mira, negra, me hagas mucho daño.

Ingressos esgotados!
Chile, 1977. O elenco de Chaves, ainda com Quico e Seu Madruga, faz uma turnê pela América Latina. O show no Estádio de Santiago lota o ambiente com 160 mil espectadores em duas apresentações. Outro espetáculo, em Quinta de Vergara, Viña del Mar, também faz esgotar todos os ingressos. Na Argentina, em Buenos Aires, o Al Luna Park, com capacidade para 25 mil pessoas, fica lotado por 14 apresentações consecutivas. Em um domingo de 1983, já após a Era de Ouro de Chaves, o grupo faz sacudir o Madison Square Garden, em Nova Iorque: lotação total com duas apresentações seguidas.

Em 1977, o show do Chaves visitou o Chile para realizar apresentações que lotaram o Estádio Nacional de Santiago (80 mil pessoas). No mesmo ano, o grupo se apresentou 14 vezes consecutivas (todas lotadas) no Luna Park, em Buenos Aires.

No fim dos anos 70, o elenco visitou a Colômbia, onde participou da Passeata Anual da Solidariedade. Os atores foram recebidos por mais de um milhão de pessoas e ganharam do então presidente da Colômbiaa cidadania deste país.

Em 1983, foi a vez de o show do Chaves lotar o Madison Square Garden, em Nova York. Foi o único show latino-americano que lotou o local com duas apresentações consecutivas.

O adeus de Quico ao Seu Madruga
Conta Carlos Villagrán nas entrevistas que ele e Ramón Valdés eram muito amigos. E Ramón, apesar de aparentar uma personalidade forte, tinha um eterno alto astral, era muito alegre e de bem com a vida. Ramón Valdés nunca perdia o seu bom humor. E quando o nosso querido Seu Madruga estava, pela última vez, no hospital, muito mal de saúde, prestes a morrer, Carlos Villagrán foi visitá-lo para se despedir do amigo. Carlos, ternamente, disse suas últimas palavras a Ramón: "Adeus, Monchito... nós nos veremos lá em cima, no céu." E Ramón Valdés prontamente respondeu, fazendo sua última gozação com Villagrán: "Não seja louco: lá em baixo, no inferno."

A verdadeira Serra Pelada
No episódio em que Seu Madruga é carpinteiro, o Professor Girafales, em certo momento, pergunta a Quico se ele pode lhe trazer uma serra. Quico responde que não, pois a única serra que ele conhecia seria a Serra Pelada. No original, em espanhol, Carlos Villagrán diz que só conhece o Popocatépetl, um vulcão situado na cordilheira de Neovolcánica, ao sudeste da Cidade do México. Sua altura é de 5.452 metros e é conhecido por se dizer que serve de grande atividade extraterrestre. São numerosos os avistamentos de OVNIs que os mexicanos teriam registrado neste colosso.
Seria melhor ver o filme do Pelé!
Fanático por futebol, Chespirito quase não acreditou quando recebeu a ligação de um de seus maiores ídolos: Pelé! Isso mesmo, o Rei da Bola um dia ligou para o Rei da Comédia e o convidou para fazer um filme com o Chaves. Mas Bolaños, infelizmente, acabou tendo de recusar a proposta, porque estava decidido que Chaves não iria para o cinema, uma vez que, segundo ele, o formato do programa não se adequava à telona; e uma adaptação dessas poderia resultar em um trabalho mal-sucedido. Falando em futebol, Chespirito já lançou um livro falando sobre o esporte que ama. Mas faz duras críticas ao estado atual em que se encontra o futebol: afogado em um mar de violência e corrupção. Essa verdade é uma pena... E o livro vale à pena!

 

Seu Madruga na vida real
Como foi esse homem que tanto nos fez rir por ser o ator mais carismático de todos os seriados? Contam suas filhas, nas entrevistas, que "por sua personalidade, pode-se pensar que 'Seu Ramón' era de caráter forte, mas só era assim quando se irritava. E quando resmungava com o Quico ou com a Chiquinha, parecia-se muito como era fora das câmeras, espontâneo e muito cômico. De fato, as frases que dizia no programa eram as mesmas que utilizava em sua casa: 'Só não te dou outra porque...'. Outro fato importante é que se vestia daquela forma na vida real, com suas calças jeans, tênis confortável; gostava de se sentir fresco e cômodo." Não é à toa que Ramón Valdés ganhou, no seriado Chaves, um personagem com o mesmo nome, "Don Ramón" (aqui no Brasil, conhecido como "Seu Madruga, invenção da dublagem que deu muito certo por sinal).

• Meu Sadruga... Quando Chaves chama Seu Madruga de "Meu Sadruga", como seria no original? Ora, seguindo o mesmo raciocínio: Don Ramón vira Ron Damón. Mas o curioso é que, no original, Chavo chama o tempo todo Don Ramón de "Ron Damón". Na dublagem brasileira, o "Meu Sadruga" foi usado pouquíssimas vezes.

Amizade eterna
Quando Ramón Valdés morreu, em agosto de 1988, o enterro foi acompanhado por muita gente. E, como afirma Edgar Vivar, todos aplaudiram quando terminaram de enterrá-lo. Há outro fato emocionante que também é comentado pelos que estiveram presentes. Angelines Fernández, que era muito ligada a Ramón, sofreu muito. E, no enterro, ficou parada duas horas diante da sepultura de seu companheiro, chorando e falando sozinha, como se estivesse conversando com Ramón. Uma filha de Angelines disse que a mãe nunca mais foi a mesma depois da morte dele. Que descuidou da saúde, envelheceu mais rápido. Era sem dúvida uma forte amizade. As filhas de Ramón Valdez afirmaram que o pai era muito amigo especialmente de Carlos Villagrán, Edgar Vivar e Angelines Fernández.

Quando Ramón Valdés faleceu, em agosto de 1988, conta María Antonieta de las Nieves que Angelines Fernández foi a única que permaneceu após o fim do velório, de pé, sozinha, junto ao caixão do saudosoSeu Madruga. Os dois eram muito amigos e se amavam muito.

Caridade
Bolaños, em uma certa viagem que fez à Colômbia com todo o elenco do programa Chaves, visitou alguns sítios turísticos e viajou de ônibus. Em uma parada, um garotinho que vendia doces subia em todos os ônibus para vender sua mercadoria. Quando entrou no ônibus em que estavam os atores, ficou paralisado ao ver Chespirito. No mesmo instante, o garotinho pegou todas as moedas que estavam em seu bolso e entregou ao "Chaves", dizendo: "Tome, para que compre o seu sanduíche de presunto"; Roberto Bolaños ficou espantado diante da atitude do pobre menino e aceitou o dinheiro, emocionado: não quis que a ilusão daquela criança acabasse.

O Homem-Abelha dos Simpsons
Essa é velha, todos sabem: o criador dos Simpsons, Matt Groening, é fã de Chespirito e, um homenagem ao ídolo, criou o personagem Homem-Abelha, que seria uma versão "simpson" do Chapolin. Nos Simpsons, o nome do "Spanish Bee Guy", ou Homem-Abelha, é Pedro (um nome latino). Ele fala espanhol e trabalha no Canal 8 (Channel 8 Television) de Springfield . Ou seja, Groening fez alusão até ao Canal 8 onde Chespirito começou a trabalhar (TV TIM) – o que gerou, vocês lembram, o nome "El Chavo del OCHO" ("O Chaves do Oito"). Mas há quem diga que antes, o Homem-Abelha trabalhava na mesma emissora onde trabalha o Krusty, que é o Canal 6. Bem, deve ser também outro canal do Grupo Televisa.

Quico chorou por causa da violência
Há alguns anos, Carlos Villagrán foi à Argentina para fazer algumas apresentações em seu circo, interpretando, é claro, o papel de Quico. No meio da apresentação, bandidos começaram a roubar os espectadores, mas a polícia conseguiu detê-las. Mas agora vem o incrível: Carlos Villagrán, vestido com o terninho de marinheiro de Quico, interrompeu o espetáculo e começou a chorar como o garoto do seriado Chaves, pedindo perdão a todo o seu público pelo ocorrido.

• Villagrán: ovacionado na Argentina! Certo dia, ao entrar em um restaurante em Mar del Plata, na Argentina, Carlos Villagrán foi aplaudido de pé pelos que estavam lá. As pessoas gritavam "mestre" e "gênio", pediam autógrafos e não paravam de aplaudir.

Você sabia que o Terremoto aconteceu de verdade?
O velho Madruga insistiu tanto para que a Dona Glória, a nova vizinha, fosse com ele fazer um terremoto... digo... assistir ao filme Terremoto no cinema, lembram-se? Pois bem, a curiosidade é que tal filme realmente existe e, no ano de gravação daquele episódio (1974), Terremoto ganhou um prêmio da Academia, o Oscar de melhores efeitos especiais. Realmente deve ter chamado a atenção do público cinéfilo, tanto que foi citado em um episódio de Chaves. Corram às locadoras!

And the Oscar goes to... Terremoto! Em 1974, o filme "Terremoto" ganhou o Oscar de melhores efeitosespeciais. Isso mesmo, o filme que Seu Madruga quis ver abraçadinho com Glória, a bela vizinha, naquele cinema que merecia era o Oscar de melhor figuração!

Você gosta das velhas?
As músicas BGM (de fundo) que ouvimos aqui no Brasil não pertencem ao som original. Nós fomos privilegiados com essa trilha sonora, que muitas vezes é até melhor que o original. Em 1989, foi lançado um disco do Chaves (veja a foto acima) com algumas músicas inventadas (como os temas de Quico, Chiquinha e Seu Madruga) ou bastante modificadas ("Legalzinha a sua roupa" em vez de "Que bonita a sua roupa", que também foi cantada no episódio), criando-se uma verdadeira trilha sonora brasileira para 'Chaves'.

Curiosamente, os Estúdios MAGA não dublaram algumas músicas, como "Churi-churi-funflays ", do episódio da Branca de Neve (Chapolin). No LP do Chaves, no entanto, temos a brasileira "Tchuin-tchuin-tchunclain". O Brasil não conhece muitas músicas famosas de Chapolin, como "Las Brujas" e "Los payasos", que pertencem a episódios inéditos no Brasil.

"Pra Dona Clotilde só falta uma escova". ??? Como assim? Um grande equívoco da versão brasileira da música Que bonita vecindad, que aqui virou a estranha "Que bonita sua roupa". No original é "La Bruja del 71 com su escoba", que quer dizer: "A Bruxa do 71 com sua vassoura", pois escoba é vassoura em espanhol. E não é que aqui ficou "escova" mesmo? Onde já se viu uma bruxa descuidar tanto assim do cabelo?

Quanto à música romântica do casal Professor Girafales e Dona Florinda, nós demos sorte: ganhamos uma linda orquestra do filme "E o vento levou", com novo arranjo. O original é bem diferente, mais sem graça, e aparece no final do episódio da catapora, quando Chaves fica triste porque foi o único que não pegou a doença.

Topo

A música de abertura oficial original do programa Chaves (que aparece misteriosa e rapidamente em pouquíssimos episódios aqui, incluindo Clube do Chaves) tornou-se uma das maiores referências a Chespirito: é a famosa "The elephant that never forgets" ("O elefante que nunca esquece"), de Jean-Jacques Perrey, adaptação da clássica "Marcha Turca das Ruínas de Atenas", de Beethoven. Não confundam essa música de abertura de Chaves com a música de abertura do programa Chespirito que foi ao ar na CNT. Esta música, que também apareceu no Clube do Chaves é a versão instrumental da música "El Chapulín Colorado", gravada por Chespirito em 78 (e é a música da página principal do nosso site).

• Créditos finais... Poucos se lembram, mas os fãs mais velhos confirmam: em 84, quando começou apassar 'Chaves' no Brasil (em agosto, no programa do Bozo), os créditos finais eram exibidos normalmente. E a partir de 85 eles foram cortados.

Texto de Gustavo Berriel