AS SÉRIES
Programa CHESPIRITO

Emissora:
CNT/Gazeta
Ano de estréia:
1997
Versão Brasileira:
BKS/Parisi

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Após a saída de Ramón Valdés (Seu Madruga) e de Carlos Villagrán (Quico) dos seriados, Chespirito continuou a produzir episódios por mais quinze anos. Porém, esses episódios não são aplaudidos de pé como os grandes clássicos de Chaves e Chapolin – até mesmo quadros desses dois personagens foram gravados depois de 1979, sem o mesmo êxito.

Mas o que é exatamente o programa Chespirito? Simples; foi o programa que Chespirito gravou no início da carreira e voltou a gravar em 1980. Consistia em unir os quadros de seus personagens em um único programa – Chaves e Chapolin, no início faziam parte desse programa, mas, devido ao sucesso absoluto, acabaram virando programa individuais, transformando os quadros dos outros personagens em quadros secundários inseridos periodicamente nos programas principais. A partir deste momento, o programa Chespirito deixara de existir.

Chaves e Chapolin foram gravados pelos sete anos seguintes até que o inevitável aconteceu: com a saída de Carlos Villagrán e, posteriormente, de Ramón Valdes das séries, o programa Chespirito ressurgiu.

Dessa vez, Chespirito tirou da manga um trunfo: seu velho personagem Chômpiras ganhava novos e maiores quadros, tornando-se o carro-chefe do programa Chespirito. Outros personagens também foram revividos. E outros foram criados para fazer parte do programa, como Chaparron Bonaparte e Dom Caveira.

Lembremos que no início, Chômpiras fazia parceria com Peterete – interpretado por Ramón Valdes – e, poucas vezes, Botijão – mais tarde parceiro de Chômpiras – apareceu ao lado dos dois.

Quase todos os quadros de Chômpiras tinham duração de quarenta a quarenta e cinco minutos, o que fazia com que o programa do dia tivesse apenas um episódio – quandos os quadros eram curtos, exibia-se até seis ou mais por programa.

Os atores já estavam mais velhos e não tinham mais a agilidade que os consagraram nos anos 70 para correr, pular, cair... Chômpiras é um quadro de piadas textuais, principalmente por parte de Florinda Meza que interpretara Chimoltrúfia, uma mulher de pouca instrução escolar que se dedica muito a falar incorretamente, sendo divertidamente corrigida pelos que estão a sua volta; e também por parte de Rubén Aguirre, que interpretara o desajeitado Refúgio, um desajeitado sargento de polícia, que com suas idiotices sempre crê estar fazendo as coisas corretamente e tenta em vão uma promoção.

Chaparron Bonaparte é outro quadro que não exige agilidade dos atores. São quadros simples e bons; muitas pessoas o consideram o melhor quadros do programa. Chaparron Bonaparte e seu fiel amigo Lucas Tanheda são dois loucos que nem ao menos se dão conta disso e consideram, de forma divertida, que a humanidade inteira, com exceção deles, é que está louca.

Doutor Chapatin era um grande quadro periodicamente inserido nos programas Chaves e Chapolin e que acabou ganhando força maior no programa Chespirito. Seus quadros passaram a ser realizados com maior freqüência – quase em todos os programas de quadros curtos ele aparece. Chapatin é – como todos sabem – um médico veterano, e a coisa quem menos suporta na vida são piadas sobre sua velhice. É apaixonado por sua enfermeira – interpretada por Florinda Meza.

Quando estava próximo do fim do programa Chespirito, mais um personagem fora criado: Dom Caveira – que, por sinal, rendeu pouquíssimos episódios. Trata-se do dono de uma funerária que deseja todas as viúvas que aparecem em seu escritório. Com suas piadas de humor negro, Dom Caveira consegue divertir qualquer telespectador.

Outro personagem que merece destaque é Ciudadáno Gómez, um trabalhador de diversos ramos – cada episódio aparece com um tipo de profissão. Ciudadáno já foi tapeceiro, vendedor de venenos contra ratos... Alguns quadros foram realizados no início da carreira de Chespirito, mas abandonado em seguida, retomando-se no programa Chespirito. Outros quadros especiais foram desenvolvidos por Chespirito ao longo dos anos. Ele interpretou grandes personalidades históricas como: Júlio César, Napoleão Bonaparte, Frederick Chopin, e até interpretou a si mesmo em quadros intitulados Chespirito. São quadros interessantíssimos que, felizmente, apareceram em todos os anos de vida das séries.

Chespirito também nunca negou sua paixão por grandes clássicos do cinema, atrevendo-se a interpretar a ninguém mais ninguém menos que Charlie Chaplin e Stan Laurel com grande sucesso – até um Oscar do Fã-Clube Oficial de Stan Laurel & Oliver Hardy Chespirito ganhou por sua maravilhosa interpretação. Muitos foram os quadros realizados por Chespirito homenageando estes artistas mais que extraordinários. Mas Chespirito também homenageou outros grandes clássicos do cinema e da TV inserindo em seus episódios piadas interpretadas originalmente em outras séries de sucesso, como: "Os Três Patetas", "Agente 86" etc.

Infelizmente, há um personagem de Chespirito que não durou muito tempo: Vicente Chambón. Este, era um repórter investigativo bastante atrapalhado. O quadro fora criado no início dos anos 80 para ser introduzido no programa Chespirito. No Brasil, o personagem é inédito.

O quadro Chaves deixou de ser produzido em 1992 e, Chapolin, em 1994. O programa Chespirito deixou de ser realizado em 1995.

O Programa Chespirito foi conhecido pela primeira vez no Brasil em 1997, na CNT (Gazeta). Em 2001, foi ao ar no SBT com o nome de Clube do Chaves.

Texto de Eduardo Gouvea (adaptado)