ELENCO
Carlos Villagrán

Carlos Villagrán "Pirolo" Eslava (1944)

Personagens:

Quico (em Chaves)
Quase Nada; Chinesinho; Fura Tripa; Tonhão e outros vilões de Chapolin

Data de nacimento: 12 de janeiro de 1944

Signo: Capricórnio

Local de nascimento: Queretaro, México

Dublador: Nelson Machado
> Maga - TVS/SBT
> Gota Mágica - Rede Bandeirantes
> Studio Gabia - DVDs Amazonas Filmes

"Sou uma pessoa humilde, sincera, com o privilégio de poder fazer rir sem ter patrões." — Assim é como Carlos Villagrán se define.

 

O intérprete do bochechudo metido a riquinho nasceu em 12 de janeiro de 1944, na Colônia Nativitas, em Queretaro, Distrito Federal, no México, e cresceu numa família de poucos recursos financeiros. Ou seja, uma origem parecida com a história de Chespirito.

"Éramos tão pobres, que os pobres não se misturavam conosco, por sermos pobres.", brinca Villagrán. Tão pobres que, na casa - onde Carlos vivia com seus pais, duas irmãs mais novas e um irmão mais velho - não havia sapatos, nem colchões onde dormir, nem portas. Mas nem por isso sua infância foi triste. "Quando não se sabe o que alguém tem ou pode ter, não se dá conta se é pobre ou rico... E pra mim nunca faltou nenhum brinquedo.", ele conta.

 

É conhecido como "Pirolo", pois, antes de atuar em Chaves, tinha um personagem com esse nome. No ano de 1978, Carlos Villagrán deixou o elenco de Chespirito e foi trabalhar na Venezuela. Lá fez o programa Federrico. Fez também os programas Ah que Kiko!, El circo de monsieur Cachetón e Kiko botones. Carlos Villagrán diz que deixou o elenco de Chaves e Chapolin porque seu personagem Quico estava ganhando muita popularidade e estava sendo convidado para gravar discos e comerciais. Por isso quiseram diminuir a participação dele nos seriados e ele não aceitou isso. Mas isso é o que ele diz. Numa entrevista, Chespirito disse que Carlos Villagrán lhe falou que queria tentar carreira solo e Bolaños disse que tudo bem, mas que quando ele quisesse voltar ao Chaves, todos o receberiam de braços abertos.

Dizem também que Carlos Villagrán já teve um caso com Florinda Meza antes de esta se casar com Chespirito, mas isso também nunca foi confirmado. Após sair do programa, ficou 20 anos sem falar e nem sequer ver Roberto Bolaños, até que os dois se reencontraram numa homenagem especial da Televisa a Chespirito, em 2000. Fizeram as pazes? Aparentemente, sim. Atualmente, Carlos vive na Argentina e tem um circo chamado El circo de Kiko, que, inclusive, já veio ao Brasil, em 1996.

Ainda em sua infância, seu pai o pedia que imitasse seu tio Chapera, que vivia em Chihuahua, que era quem tinha as "bochechas de buldogue velho" e a quem Carlos imitava perfeitamente.

Trabalhou sempre desde criança, crescendo como a maioria das pessoas nesta época: na "universidade da vida". Aos 23 anos, começou como fotógrafo profissional e trabalhou em um dos jornais mais importantes da Cidade do México. Cobria os cadernos sociais, esportes, informação geral e espetáculos. Foi assim que teve a oportunidade de entrar para a televisão, pois com a credencial do jornal, podia entrar nos estúdios e fazer muitos contatos.

"Fui fotógrafo do jornal Heraldo em 1967, um ano antes das Olimpíadas no México. Então, eles me prepararam para cobrir as Olimpíadas de 68, que foi uma grande experiência profissional para mim."

Sempre quis ser apenas duas coisas na vida: comediante ou jogador de futebol (mais uma semelhança com Chespirito!). Não pôde ser jogador, mas sempre conseguiu fazer qualquer um rir.

Carlos sempre lembra que o criador de Quico e, portanto, dono do personagem, é ele, não Chespirito. Segundo Carlos, os textos eram de Roberto, mas quem criava o personagem era o próprio ator que interpretava; e que frases como "Ya cállate, cállate que me desesperas!!!" ("Ai, cale-se, cale-se, cale-se que me deixa louco!!!") foram criadas por ele mesmo.

"O personagem é meu, eu o inventei; ninguém me disse como fazê-lo, eu o inventei e fui desenvolvendo sozinho."

 
A habilidade de falar com as bochechas infladas é, para o ator, um "defeito de fábrica"

"Fazer um papel é como fazer um bolo: coloco um pouco mais de manteiga, provo... Não, acho que falta ovo... Coloco ovo... E assim vou enriquecendo o personagem. Como eu sabia que podia fazer "garrrrrrrrr" [som característico do choro do Quico], apliquei isto ao choro. Ninguém sabia que eu podia fazer esse som gutural, mas eu o apliquei ao Quico para enriquecer o personagem. Então eu fui construindo tudo. Ninguém sabia que eu podia falar com as bochechas cheias, que é uma capacidade que eu tenho. E adicionei isso ao personagem. Então eu digo que eu que fui fazendo e enriquecendo o personagem. A gente respeitava os roteiros de Chespirito, mas o personagem em si cada um foi criando o seu."

 

"Eu não queria me parecer com Chabelo [famoso comediante mexicano dos anos 60 que também se vestia de criança com um terninho de marinheiro]. Quem se vestia de criança já enfrentava a crítica dos que diziam que era uma cópia de Chabelo e o reprovavam. Encontrei o traje de marinheiro e, em todo caso, seu dono seria a Marinha Nacional, pois o traje já era usado na época dos tataravôs."

Descobriu o uniforme de marinheiro no vestuário da Casa Tostado, empresa de figurino contratada pela Televisa para os programas de Chespirito. E para esconder as entradas (queda de cabelo), pegou um boné e deixou para fora dois chifrinhos de cabelo para não se parecer com Chabelo, o que era o seu maior medo. No fim das contas, o próprio Chabelo elogiou a originalidade do Quico.

Até então, Chespirito já o havia visto interpretando um menino com as bochechas cheias em uma cena com Fernando Luján e Rafael Inclán, entre outros; isto muito antes de existir o Chaves. A obra se chamava " Loquibambia" e foi apresentada no Teatro 29 de Dezembro. Seu papel foi o de "menino lindo que nasceu à noite, que tudo o que quer é que o seqüestrem para passear de carro"; uma obra do teatro do absurdo.
Mas o convite para interpretar seu personagem mais famoso que lhe deu a fama mundial só viria alguns anos mais tarde, em 1971, quando, junto com Rubén Aguirre (o Professor Girafales), apresentou uma peça que já ensaiavam há algum tempo. Rubén fazia um ventríloquo enquanto Carlos personificava o boneco, sentado em sua perna e enchendo as bochechas. Esse personagem era o "Pirolo". Chespirito foi, viu e gostou. Rubén, então, foi quem apresentou Carlos a Chespirito, que imediatamente o convidou para fazer parte do elenco de seu programa, a partir de 1972.

"Quando veio a oportunidade no Canal 8 de fazer um programa infantil, trabalhávamos juntos Rubén Aguirre e eu e, pouco antes de começar o primeiro programa, o cubano Sergio Peña [produtor], me disse: 'Como vou te chamar?', e eu disse: 'Ora, Carlos'. 'Não, tem que ter um nome de guerra' e eu disse: 'Carlitos'. E ele: 'Não gostei'. E cinco minutos antes do início: 'Vai se chamar Pirolo!'. Eu: 'Não, espere um pouco...', ele: 'Pirolo!', e ficou Pirolo", lembra. Nos inícios de Chaves, Jorge Gutiérrez Zamora, o locutor, apresentava "Carlos Villagrán 'Pirolo' como Quico' e depois acabaram tirando o "Pirolo".

Chaves ainda era esquete de dez minutos e ainda estava em fase de teste; ninguém sabia ainda se as pessoas iriam gostar; se continuaria ou não. "Naquele momento, em 72, tivemos resultados imediatos com staff, todos riram.", lembra o ator.

 Ao lado da filha, Sylvia Villagrán, para o site Chespirito.org

Chaves, então, ganha um programa exclusivo em 1973, El Chavo del 8, produzido pelo canal 8. O mesmo acontece com Chapolin. Em 74, o Quico ganha enorme destaque, ainda mais com a falta da Chiquinha, que só voltaria em 75. A popularidade do Quico aumentava de maneira assombrosa. Em 1976, a EMI Capitol aproveitou o destaque do Quico e o chamou para gravar um disco! Carlos Villagrán interpretou dez temas que tocaram em todas as rádios do México em 76. As músicas gravadas neste LP são " Anda, dí que sí", "Me doy", "No llores, Quico", "Ahora que soy tu amigo (Te quiero mucho, mamá)" e "El semáforo", além de " Chusma, chusma", "Ya cállate, cállate que me desesperas", "No me simpatizas", "Quico, el silbador" e "No seas flojo". E todas fizeram muito sucesso.

"A maior virtude do programa é o humor saudável. Não promove o sexo, não gera violência e, em especial, o Quico é muito folclórico. É certo que o Chaves é comum, mas é muito raro ver um personagem que fale com as bochechas infladas, as pernas tortas, os olhos de ovo frito, a forma engraçada de chorar e esse tipo de coisas. Isso tudo chama muito a atenção. O fato de ter destaque é porque o personagem chama muito a atenção das pessoas. Era raríssimo o Quico, era muito folclórico, chamava muito a atenção! Ramón me dizia: 'Parece que se fez Frankestein, com pedaços de mortos.'", diz Carlos Villagrán.

Villagrán permaneceu no elenco durante sete anos. Até que, em 1978, deixou o seriado para fazer um programa solo, pois julgava que seu personagem estava ficando mais popular que o próprio protagonista, Chaves.

"Começou a haver um pouco de inveja e egoísmo por parte dos outros companheiros, porque de quem mais gostavam era Quico, o personagem Quico, não Carlos Villagrán, o personagem Quico... Por causa do jeito, as bochechas inchadas, a forma de chorar, tudo isso era mais chamativo, não? E aí começou a haver distanciamento e todo esse tipo de coisas, e... Bom eu preferi sair do programa, antes que as coisas piorassem. "

 Com cara de bobăo,
caracterizado como "Carlitos"

O personagem Quico, está registrado em nome de Chespirito, que é o criador de todos os personagens. Porém, Villagrán registrou o nome Kiko (com 'K'), para poder explorar o personagem sozinho. Isso acabou gerando um grande descontentamento por parte da Televisa e de Chespirito. Villagrán, então, criou os seus próprios programas de TV, Kiko, em outros países.

"Então o senhor [Emilio] Azcárraga Milmo [então dono da Televisa], que descanse em paz, me chamou e me disse que queria fazer um programa meu, só que supervisionado por Chespirito... Expliquei que ele e eu tínhamos diferenças, mas ele me disse que a ele isso não importava, então eu lhe agradeci e não aceitei."

Apesar de tudo, Villagrán sempre gostou muito de ter trabalhado em Chaves & Chapolin e agradece a Chespirito por isso.

"Claro. É um espaço que marcou todos e nos deu a bênção, graças aos personagens, ao trabalho constante e ao reconhecimento de várias gerações. Isso é impagável. Por toda a minha vida agradecerei a Chespirito por tudo o que nos fez, mas também ele deveria agradecer ao que fizemos por ele. Fomos um elenco no qual cada um fez o que tinha que fazer e muito bem. Afinal de contas, todos que trabalhamos em Chaves triunfamos de alguma forma ou de outra e ultrapassamos todas as fronteiras."

Depois de trabalhar com Chespirito e de fazer os seus próprios programas Kiko, Carlos Villagrán começou a se apresentar em seu circo ('El Circo de Kiko') onde canta, dança e conta histórias por toda a América Latina, incluindo o Brasil, quando veio em 1996. Para se apresentar aqui, Carlos Villagrán não só teve que aprender a falar português, como também imitar o jeito de falar e a voz que Nelson Machado (dublador do Quico no Brasil) usou para dublar o personagem, pois aqui no Brasil a voz de Quico é muito mais nasal e grave que a original. E Carlos conseguiu imitar muito bem.

"Tive que aprender a falar português para imitar quem me dublava, para que quando trabalhasse, houvesse relação entre voz e imagem."

Nelson Machado fez uma versão brasileira do Quico tão marcante que a maioria dos fãs concorda que o ator brasileiro MELHOROU o personagem mexicano. Foi uma voz única, que ninguém jamais poderia fazer a não ser Nelson Machado. E uma curiosidade: Nelson é praticamente dez anos exatos mais novo que Carlos Villagrán. Carlos é de 12 de janeiro de 1944 e Nelson é de 14 de janeiro de 1954. Com isso, podemos dizer que o Quico é capricorniano da cabeça à voz, digo, da cabeça aos pés!

Depois de viver durante oito anos na Venezuela, Villagrán morou durante algum tempo no Chile, mas atualmente está vivendo na Argentina. E, com orgulho, em todos esses países ele continua a ver Chaves sendo exibido. Casado com a argentina Nora Tomazzotti e pai de seis filhos (assim como Chespirito!), ele se define como um pai normal. Quando está em família, saem para comer, se divertem etc.

Em julho de 1997, Carlos anunciou à imprensa que pararia de se apresentar como Kiko e tentaria sorte como escritor e diretor de filmes de ficção científica. Mas acabou desistindo da idéia, pois até hoje (!!!) ainda faz muitas apresentações em seu circo com seu personagem, justificando: "Graças ao apoio do público pude seguir adiante."

Em 1º de abril de 2000, Carlos Villagrán participou da grande homenagem a Chespirito, promovida por Roberto Gómez Fernández (filho de Chespirito) e pela Televisa. Lá, reencontrou o ex-companheiro após 22 anos sem se falar.

"O filho de Roberto Gómez Bolaños me chamou para a homenagem que fariam a ele no México, para nos unir. Eu disse que sim, sem nenhuma condição; sei que saíram publicadas algumas coisas, que afirmaram que eu cobrei por este gesto. Isso é mentira. Bem, eu fui; antes nos deixaram em uma sala e me esconderam. O resto do elenco de Chaves estava dando uma entrevista coletiva à imprensa. Depois, alguém me chamou e me perguntou se queria subir ao palco. Subi e dei um abraço, um beijo em Roberto e isso foi tudo o que aconteceu..."

Pouco tempo depois, Carlos Villagrán voltou ao México, mas apenas para apresentações em seu circo. E agradeceu novamente a Chespirito, pois graças às reprises dos seriados, as crianças de hoje também o conhecem onde quer que ele vá. Não voltou para a televisão, mas não por falta de vontade e desejo, e sim por não haver contratos.

"Não me chamaram, suponho que a relação com as redes de televisão do México anda mal, apesar de que quem me vetou foi a Televisa."

Às crianças, Villagrán deixa uma mensagem:

"Às crianças de ontem, peço que se perguntem quais são seus valores. Creio que os valores nunca devem morrer porque são o melhor que podemos aprender. Às de hoje, peço que não deixem de estudar. E que tenham o suficiente caráter no momento preciso para dizer 'não'. Aí se forma o caráter, no momento em que se diz 'não'. Vão se sentir orgulhosos desse 'não'. Acho que é o 'não' mais orgulhoso que vai ter uma criança porque é o maior passo que vai dar em sua vida."

Atualmente dorme mais do que o normal para manter a cara de "Kiko", quem nunca deixará de ser. "Acho que sou a única criança que tem um adulto por dentro - e não um adulto com uma criança por dentro." , pois quase passa mais tempo como criança, vestido de Quico, do que como adulto. Isso o ajuda a se manter magro. Sempre corre e se mantém em forma, pois seu personagem deve ser dinâmico.

E termina deixando uma mensagem a todos, adultos, velhos ou crianças: "Creio que não deve nunca faltar a amizade e é o que está fazendo falta na humanidade; daí vem todos os males. E o amor é básico e fundamental; total e absoluto."

Filmes:

Ø El Chanfle (1978) - Valentino

Programas de TV "KIKO": (roteiro, direção e interpretação)

• "¡Ah qué Kiko!" (1988)

• "Nuevas aventuras de Frederrrico, Las" (1983) (1981) Kiko Botones

• "Frederrrico" (1982)

• "Kiko Botones" (1981)

• "Niño de papel" (1981)


Da esquerda para a direita: Samantha, Sylvia Salina (ex-esposa de Carlos), Paulo César. Sentados: Edson, Sylvia e Carlos. Dezembro de 2005. (foto do site Chespirito.org)

Séries solo de Carlos Villagrán nos anos 80:
Federrrico
El Niño de Papel
Kiko Botones

El Circo de Monsieur Cachetón

Ah! Que Kiko!


Carlos Villagrán e Ramón Valdés no programa 'Ah! qué Kiko', em 1988