O intérprete do bochechudo metido a riquinho
nasceu em 12 de janeiro de 1944, na Colônia Nativitas,
em Queretaro, Distrito Federal, no México, e
cresceu numa família de poucos recursos financeiros.
Ou seja, uma origem parecida com a história de
Chespirito.
"Éramos tão pobres, que os pobres
não se misturavam conosco, por sermos pobres.",
brinca Villagrán. Tão pobres que, na casa
- onde Carlos vivia com seus pais, duas irmãs
mais novas e um irmão mais velho - não
havia sapatos, nem colchões onde dormir, nem
portas. Mas nem por isso sua infância foi triste.
"Quando não se sabe o que alguém
tem ou pode ter, não se dá conta se é
pobre ou rico... E pra mim nunca faltou nenhum brinquedo.",
ele conta.
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É conhecido como "Pirolo", pois,
antes de atuar em Chaves, tinha um
personagem com esse nome. No ano de 1978, Carlos Villagrán
deixou o elenco de Chespirito e foi
trabalhar na Venezuela. Lá fez o programa Federrico.
Fez também os programas Ah que Kiko!,
El circo de monsieur Cachetón
e Kiko botones. Carlos Villagrán
diz que deixou o elenco de Chaves e
Chapolin porque seu personagem Quico
estava ganhando muita popularidade e estava sendo convidado
para gravar discos e comerciais. Por isso quiseram diminuir
a participação dele nos seriados e ele
não aceitou isso. Mas isso é o que ele
diz. Numa entrevista, Chespirito
disse que Carlos Villagrán lhe falou que queria
tentar carreira solo e Bolaños
disse que tudo bem, mas que quando ele quisesse voltar
ao Chaves, todos o receberiam de braços
abertos.
Dizem também que Carlos Villagrán já
teve um caso com Florinda
Meza antes de esta se casar com Chespirito,
mas isso também nunca foi confirmado. Após
sair do programa, ficou 20 anos sem falar e nem sequer
ver Roberto
Bolaños, até que os dois se reencontraram
numa homenagem especial da Televisa a Chespirito,
em 2000. Fizeram as pazes? Aparentemente, sim. Atualmente,
Carlos vive na Argentina e tem um circo chamado El
circo de Kiko, que, inclusive, já
veio ao Brasil, em 1996. |
Ainda em sua infância, seu pai o pedia que imitasse
seu tio Chapera, que vivia em Chihuahua, que era quem
tinha as "bochechas de buldogue velho" e a
quem Carlos imitava perfeitamente.
Trabalhou sempre desde criança, crescendo como
a maioria das pessoas nesta época: na "universidade
da vida". Aos 23 anos, começou como fotógrafo
profissional e trabalhou em um dos jornais mais importantes
da Cidade do México. Cobria os cadernos sociais,
esportes, informação geral e espetáculos.
Foi assim que teve a oportunidade de entrar para a televisão,
pois com a credencial do jornal, podia entrar nos estúdios
e fazer muitos contatos.
"Fui fotógrafo do jornal Heraldo em
1967, um ano antes das Olimpíadas no México.
Então, eles me prepararam para cobrir as Olimpíadas
de 68, que foi uma grande experiência profissional
para mim."
Sempre quis ser apenas duas coisas na vida: comediante
ou jogador de futebol (mais uma semelhança com
Chespirito!).
Não pôde ser jogador, mas sempre conseguiu
fazer qualquer um rir.
Carlos sempre lembra que o criador de Quico
e, portanto, dono do personagem, é ele, não
Chespirito.
Segundo Carlos, os textos eram de Roberto,
mas quem criava o personagem era o próprio ator
que interpretava; e que frases como "Ya cállate,
cállate que me desesperas!!!" ("Ai,
cale-se, cale-se, cale-se que me deixa louco!!!")
foram criadas por ele mesmo.
"O personagem é meu, eu o inventei;
ninguém me disse como fazê-lo, eu o inventei
e fui desenvolvendo sozinho." |
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A habilidade de falar com as bochechas infladas é, para o ator, um "defeito de fábrica" |
"Fazer um papel é como fazer um bolo:
coloco um pouco mais de manteiga, provo... Não,
acho que falta ovo... Coloco ovo... E assim vou enriquecendo
o personagem. Como eu sabia que podia fazer "garrrrrrrrr"
[som característico do choro do Quico],
apliquei isto ao choro. Ninguém sabia que eu
podia fazer esse som gutural, mas eu o apliquei ao Quico
para enriquecer o personagem. Então eu fui construindo
tudo. Ninguém sabia que eu podia falar com as
bochechas cheias, que é uma capacidade que eu
tenho. E adicionei isso ao personagem. Então
eu digo que eu que fui fazendo e enriquecendo o personagem.
A gente respeitava os roteiros de Chespirito,
mas o personagem em si cada um foi criando o seu."
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"Eu não queria me parecer com Chabelo
[famoso comediante mexicano dos anos 60 que também
se vestia de criança com um terninho de marinheiro].
Quem se vestia de criança já enfrentava
a crítica dos que diziam que era uma cópia
de Chabelo e o reprovavam. Encontrei o traje de marinheiro
e, em todo caso, seu dono seria a Marinha Nacional,
pois o traje já era usado na época dos
tataravôs."
Descobriu o uniforme de marinheiro no vestuário
da Casa Tostado, empresa de figurino contratada pela
Televisa para os programas de Chespirito.
E para esconder as entradas (queda de cabelo), pegou
um boné e deixou para fora dois chifrinhos de
cabelo para não se parecer com Chabelo, o que
era o seu maior medo. No fim das contas, o próprio
Chabelo elogiou a originalidade do Quico. |
Até então, Chespirito
já o havia visto interpretando um menino com
as bochechas cheias em uma cena com Fernando Luján
e Rafael Inclán, entre outros; isto muito antes
de existir o Chaves. A obra se chamava
" Loquibambia" e foi apresentada
no Teatro 29 de Dezembro. Seu papel foi o de "menino
lindo que nasceu à noite, que tudo o que quer
é que o seqüestrem para passear de carro";
uma obra do teatro do absurdo.
Mas o convite para interpretar seu personagem mais famoso
que lhe deu a fama mundial só viria alguns anos
mais tarde, em 1971, quando, junto com Rubén
Aguirre (o Professor
Girafales), apresentou uma peça que já
ensaiavam há algum tempo. Rubén
fazia um ventríloquo enquanto Carlos personificava
o boneco, sentado em sua perna e enchendo as bochechas.
Esse personagem era o "Pirolo". Chespirito
foi, viu e gostou. Rubén,
então, foi quem apresentou Carlos a Chespirito,
que imediatamente o convidou para fazer parte do elenco
de seu programa, a partir de 1972.
"Quando veio a oportunidade no Canal 8 de
fazer um programa infantil, trabalhávamos juntos
Rubén
Aguirre e eu e, pouco antes de começar o
primeiro programa, o cubano Sergio Peña [produtor],
me disse: 'Como vou te chamar?', e eu disse: 'Ora, Carlos'.
'Não, tem que ter um nome de guerra' e eu disse:
'Carlitos'. E ele: 'Não gostei'. E cinco minutos
antes do início: 'Vai se chamar Pirolo!'. Eu:
'Não, espere um pouco...', ele: 'Pirolo!', e
ficou Pirolo", lembra. Nos inícios
de Chaves, Jorge Gutiérrez Zamora,
o locutor, apresentava "Carlos Villagrán
'Pirolo' como Quico'
e depois acabaram tirando o "Pirolo".
Chaves ainda era esquete de dez minutos
e ainda estava em fase de teste; ninguém sabia
ainda se as pessoas iriam gostar; se continuaria ou
não. "Naquele momento, em 72, tivemos
resultados imediatos com staff, todos riram.",
lembra o ator.
Ao lado da filha, Sylvia Villagrán, para o site Chespirito.org
Chaves, então, ganha um programa
exclusivo em 1973, El Chavo del 8,
produzido pelo canal 8. O mesmo acontece com Chapolin.
Em 74, o Quico
ganha enorme destaque, ainda mais com a falta da Chiquinha,
que só voltaria em 75. A popularidade do Quico
aumentava de maneira assombrosa. Em 1976, a EMI Capitol
aproveitou o destaque do Quico
e o chamou para gravar um disco! Carlos Villagrán
interpretou dez temas que tocaram em todas as rádios
do México em 76. As músicas gravadas neste
LP são " Anda, dí que sí",
"Me doy", "No llores, Quico",
"Ahora que soy tu amigo (Te quiero mucho,
mamá)" e "El semáforo",
além de " Chusma, chusma",
"Ya cállate, cállate que me desesperas",
"No me simpatizas", "Quico,
el silbador" e "No seas flojo".
E todas fizeram muito sucesso.
"A maior virtude do programa é o humor
saudável. Não promove o sexo, não
gera violência e, em especial, o Quico
é muito folclórico. É certo que
o Chaves
é comum, mas é muito raro ver um personagem
que fale com as bochechas infladas, as pernas tortas,
os olhos de ovo frito, a forma engraçada de chorar
e esse tipo de coisas. Isso tudo chama muito a atenção.
O fato de ter destaque é porque o personagem
chama muito a atenção das pessoas. Era
raríssimo o Quico,
era muito folclórico, chamava muito a atenção!
Ramón
me dizia: 'Parece que se fez Frankestein, com pedaços
de mortos.'", diz Carlos Villagrán.
Villagrán permaneceu no elenco durante sete
anos. Até que, em 1978, deixou o seriado para
fazer um programa solo, pois julgava que seu personagem
estava ficando mais popular que o próprio protagonista,
Chaves.
"Começou a haver um pouco de inveja
e egoísmo por parte dos outros companheiros,
porque de quem mais gostavam era Quico,
o personagem Quico,
não Carlos Villagrán, o personagem Quico...
Por causa do jeito, as bochechas inchadas, a forma de
chorar, tudo isso era mais chamativo, não? E
aí começou a haver distanciamento e todo
esse tipo de coisas, e... Bom eu preferi sair do programa,
antes que as coisas piorassem. "
Com cara de bobăo,
caracterizado como "Carlitos"
O personagem Quico,
está registrado em nome de Chespirito,
que é o criador de todos os personagens. Porém,
Villagrán registrou o nome Kiko
(com 'K'), para poder explorar o personagem sozinho.
Isso acabou gerando um grande descontentamento por parte
da Televisa e de Chespirito.
Villagrán, então, criou os seus próprios
programas de TV, Kiko, em
outros países.
"Então o senhor [Emilio] Azcárraga
Milmo [então dono da Televisa], que descanse
em paz, me chamou e me disse que queria fazer um programa
meu, só que supervisionado por Chespirito...
Expliquei que ele e eu tínhamos diferenças,
mas ele me disse que a ele isso não importava,
então eu lhe agradeci e não aceitei."
Apesar de tudo, Villagrán sempre gostou muito
de ter trabalhado em Chaves & Chapolin
e agradece a Chespirito
por isso.
"Claro. É um espaço que marcou
todos e nos deu a bênção, graças
aos personagens, ao trabalho constante e ao reconhecimento
de várias gerações. Isso é
impagável. Por toda a minha vida agradecerei
a Chespirito
por tudo o que nos fez, mas também ele deveria
agradecer ao que fizemos por ele. Fomos um elenco no
qual cada um fez o que tinha que fazer e muito bem.
Afinal de contas, todos que trabalhamos em Chaves
triunfamos de alguma forma ou de outra e ultrapassamos
todas as fronteiras."
Depois de trabalhar com Chespirito
e de fazer os seus próprios programas Kiko,
Carlos Villagrán começou a se apresentar
em seu circo ('El Circo de Kiko') onde canta,
dança e conta histórias por toda a América
Latina, incluindo o Brasil, quando veio em 1996. Para
se apresentar aqui, Carlos Villagrán não
só teve que aprender a falar português,
como também imitar o jeito de falar e a voz que
Nelson
Machado (dublador do Quico
no Brasil) usou para dublar o personagem, pois aqui
no Brasil a voz de Quico
é muito mais nasal e grave que a original. E
Carlos conseguiu imitar muito bem.
"Tive que aprender a falar português
para imitar quem me dublava, para que quando trabalhasse,
houvesse relação entre voz e imagem."
Nelson
Machado fez uma versão brasileira do Quico
tão marcante que a maioria dos fãs concorda
que o ator brasileiro MELHOROU o personagem mexicano.
Foi uma voz única, que ninguém jamais
poderia fazer a não ser Nelson
Machado. E uma curiosidade: Nelson
é praticamente dez anos exatos mais novo que
Carlos Villagrán. Carlos é de 12 de janeiro
de 1944 e Nelson é de 14 de janeiro de 1954.
Com isso, podemos dizer que o Quico é capricorniano
da cabeça à voz, digo, da cabeça
aos pés!
Depois de viver durante oito anos na Venezuela, Villagrán
morou durante algum tempo no Chile, mas atualmente está
vivendo na Argentina. E, com orgulho, em todos esses
países ele continua a ver Chaves
sendo exibido. Casado com a argentina Nora Tomazzotti
e pai de seis filhos (assim como Chespirito!),
ele se define como um pai normal. Quando está
em família, saem para comer, se divertem etc.
Em julho de 1997, Carlos anunciou à imprensa
que pararia de se apresentar como Kiko e tentaria sorte
como escritor e diretor de filmes de ficção
científica. Mas acabou desistindo da idéia,
pois até hoje (!!!) ainda faz muitas apresentações
em seu circo com seu personagem, justificando: "Graças
ao apoio do público pude seguir adiante."
Em 1º de abril de 2000, Carlos Villagrán
participou da grande homenagem a Chespirito,
promovida por Roberto Gómez Fernández
(filho de Chespirito)
e pela Televisa. Lá, reencontrou o ex-companheiro
após 22 anos sem se falar.
"O filho de Roberto
Gómez Bolaños me chamou para a homenagem
que fariam a ele no México, para nos unir. Eu
disse que sim, sem nenhuma condição; sei
que saíram publicadas algumas coisas, que afirmaram
que eu cobrei por este gesto. Isso é mentira.
Bem, eu fui; antes nos deixaram em uma sala e me esconderam.
O resto do elenco de Chaves estava
dando uma entrevista coletiva à imprensa. Depois,
alguém me chamou e me perguntou se queria subir
ao palco. Subi e dei um abraço, um beijo em Roberto
e isso foi tudo o que aconteceu..."
Pouco tempo depois, Carlos Villagrán voltou
ao México, mas apenas para apresentações
em seu circo. E agradeceu novamente a Chespirito,
pois graças às reprises dos seriados,
as crianças de hoje também o conhecem
onde quer que ele vá. Não voltou para
a televisão, mas não por falta de vontade
e desejo, e sim por não haver contratos.
"Não me chamaram, suponho que a relação
com as redes de televisão do México anda
mal, apesar de que quem me vetou foi a Televisa."
Às crianças, Villagrán deixa uma
mensagem:
"Às crianças de ontem, peço
que se perguntem quais são seus valores. Creio
que os valores nunca devem morrer porque são
o melhor que podemos aprender. Às de hoje, peço
que não deixem de estudar. E que tenham o suficiente
caráter no momento preciso para dizer 'não'.
Aí se forma o caráter, no momento em que
se diz 'não'. Vão se sentir orgulhosos
desse 'não'. Acho que é o 'não'
mais orgulhoso que vai ter uma criança porque
é o maior passo que vai dar em sua vida."
Atualmente dorme mais do que o normal para manter a
cara de "Kiko",
quem nunca deixará de ser. "Acho que
sou a única criança que tem um adulto
por dentro - e não um adulto com uma criança
por dentro." , pois quase passa mais tempo
como criança, vestido de Quico,
do que como adulto. Isso o ajuda a se manter magro.
Sempre corre e se mantém em forma, pois seu personagem
deve ser dinâmico.
E termina deixando uma mensagem a todos, adultos, velhos
ou crianças: "Creio que não deve
nunca faltar a amizade e é o que está
fazendo falta na humanidade; daí vem todos os
males. E o amor é básico e fundamental;
total e absoluto."
Filmes:
Ø El Chanfle (1978) - Valentino
Programas de TV "KIKO": (roteiro,
direção
e interpretação)
• "¡Ah qué Kiko!" (1988)
• "Nuevas aventuras de Frederrrico, Las" (1983) (1981) Kiko
Botones
• "Frederrrico" (1982)
• "Kiko Botones" (1981)
• "Niño de papel" (1981)

Da esquerda para a direita: Samantha, Sylvia Salina (ex-esposa de Carlos), Paulo César. Sentados: Edson, Sylvia e Carlos. Dezembro de 2005. (foto do site Chespirito.org)
Séries solo de Carlos Villagrán nos anos 80: |
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Federrrico |
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El Niño de Papel |
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Kiko Botones |
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El Circo de Monsieur Cachetón
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| Ah! Que Kiko! |

Carlos Villagrán e Ramón Valdés
no programa 'Ah! qué Kiko', em 1988