Dubla: Edgar
Vivar ("Sr.
Barriga/Nhonho")
Em: (1984) Chaves & Chapolin clássicos
- Maga - TVS (SBT)
Dublador que costumava atuar em desenhos animados, tinha
uma voz experiente, potente e gravíssima, aliada a um
sotaque limpo e muito original e particular. Foi convidado
por seu grande companheiro Gastaldi para
o elenco dos dubladores de Chaves. Envelheceu
o Seu
Barriga, conferindo-lhe ares de experiência e poder,
já que Edgar
Vivar, por ser bem novo, possuía um timbre
mais jovial. Para Nhonho,
conseguiu, com uma voz incrível,
ao mesmo tempo rouca e aguda, atingir uma interpretação
perfeita.
Participou da entrevista de Edgar
Vivar no Brasil -
ao vivo no programa Falando Francamente (SBT) em setembro
de 2003, pegando os fãs de surpresa. Teve a oportunidade
de se encontrar com ele, o que o deixou
muito emocionado. Olhando fixo nos olhos de Edgar,
Mario disse: "Três anos seguindo as suas palavras...
Três anos..." (referindo-se
ao trabalho feito na Maga de 1984 a 86). Edgar
Vivar também se emocionou e os dois se abraçaram forte. Confira
este emocionante encontro no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=-e_9A5Of8IU
Uma grande mancada dos estúdios de dublagem BKS, Parisi e Gota
Mágica foi não terem chamado Mario Villela para
dublar Edgar
Vivar nos programas Chespirito e Clube
do Chaves. Esse erro imperdoável foi motivo de grande
revolta entre os fãs. Mario Villela foi disparado o melhor
dublador do Seu Barriga e do Nhonho. E ele queria dublar,
mas não foi chamado. Foi uma atitude sem caráter e
antiprofissional.
Tanto que o Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil exigiu
que, para os novos DVDs, chamassem Mario Villela. A Amazonas
Filmes foi a única empresa que atendeu a esse
pedido. Só que, desgraçadamente, já era tarde demais...
Mario Villela morreu dia 1º de dezembro de 2005.
Já estava muito doente de diabetes. Ele chegou
a começar a dublar episódios, mas não agüentou. Rrespirava
com muita dificuldade e não tinha fôlego no estúdio.
Lutou até o fim e foi um homem exemplar, que contou
piadas até o fim de sua vida.
Sua voz está imortalizada e jamais será apagada da memória
de seus fãs e admiradores.
Outros trabalhos imortais de Mario Villela foram as
vozes dos populares Bubba e Gyodai,
de Changeman. E a voz de Ota (Arai
Kazuo) em Spectreman. Dublou também o Rato
de Boné do infantil Bananas de Pijamas.
E o Ed Cabeção/Bev em Rocko.
Participou também da dublagem do desenho animado Kissifur (SBT), Disney's
Doug, Solbrain e Winspector. Dublou
o Tio Chico na primeiríssima
versão da Família Addams. Em "De
Volta para o Futuro", fez o pai da Jeniffer e foi
o locutor dos carros de som. E fez ainda a voz de Spica em Os
Cavaleiros do Zodíaco.
Mário Villela, o 'Próprio'
Mário Villela, dono de uma das vozes
mais inconfundíveis da dublagem brasileira.
Uma sílaba pronunciada e o reconhecimento imediato:
essa voz é do Villela! Uma voz tão amada
por quem gosta de dublagem e por seus fãs, mas
não tão valorizada profissionalmente
quanto poderia e deveria - talvez por motivos que só o
mercado explica, mas o talento desmente. O próprio
Villela brincava com isso e se auto-alcunhou o "dublador
Everest: aquele que nunca é escalado".
Rir de si mesmo era a característica número
um de Mário Villela. Quando pisou num estúdio
pela última vez, saiu de lá apressado
dizendo que estava atrasado para um encontro importante.
Onde, perguntaram. E ele respondeu: "No cemitério!".
A diabetes o consumia e o matava aos poucos enquanto
ele ria dela e brincava com a certeza da morte próxima.
Dentro e fora dos estúdios, como contam seus amigos, ele era o mesmo.
Dublar era mais um de seus dons. O artista Villela também cantava. E
contava. Contava anedotas o tempo todo, até entre um anel e outro, atrasando
a produtividade, sim, em nome da própria arte. Afinal, a única
diferença da dublagem para a música e as piadas era que na dublagem
ele recebia uns trocados por hora. Isso não o fez menos amante das canções
de Chico Alves ou das mesmas piadas que ele fazia questão de repetir
- da mesma maneira que se tocam várias vezes as mesmas músicas
quando se gosta delas.
Mário Villela tinha o seu próprio jeito de ser, fora do "normal".
Mário Villela tinha seu próprio humor em histórias que
só ele achava graça; e sua própria maneira de cantar,
de que só ele gostava. Tinha seu estilo único de dublar e sua
própria voz, inimitável e solitária. Mário Villela
tinha o seu próprio fone, que carregava sempre para os estúdios,
um costume em extinção assim como o próprio Villela: homem
verdadeiramente apaixonado pela arte!
Mário Villela foi um dublador que fez diferença.
Gustavo Berriel |