CHESPIRITO
Literatura

Talvez a maior paixão de Chespirito. Seu amor pelas letras é antigo. Foi escrevendo que ele começou sua carreira artística. Primeiro, escreveu para uma agência publicitária (D'Arcy). Ganhou o apelido de pequeno Shakespeare depois de escrever um roteiro impecável para o filme Los Legionarios, do diretor Augustín Delgado. A partir daí, não parou mais de escrever roteiros para o cinema durante os anos 50 e 60, inclusive para os filmes dos famosos mexicanos Cantinflas e Tintán Valdés. Até que foi convidado para escrever programas de televisão. Com facilidade ímpar para a comédia, assinou o roteiro de Viruta y Capulina e de Cómicos y canciones. E foi fazendo sucesso até que ganhou um espaço próprio na TV e passou também a atuar. Mas aí é outra história... O importante é ressaltar que o sucesso dos programas de TV de Chespirito se devem, antes de tudo, aos seus textos.

Paralelamente, ele escrevia também peças de teatro e inúmeras letras de música, que merecem uma seção à parte. E também poemas. Aliás, este é o nome de um de seus livros: Y TAMBIÉN POEMAS. Aliás, de dois de seus livros, porque tem o Y TAMBIÉN POEMAS 2. Ambos campeões de venda em todos os países onde foram publicados!

Leia abaixo alguns dos melhores poemas de Roberto Gómez Bolaños: Mi mejor amigo (Meu melhor amigo), Minero (Mineiro) e Poema a mi madre (Poema à minha mãe) - poema que dedicou à sua mãe, Elsa Bolaños.

Mi mejor amigo

No me pasa inadvertida
esta verdad singular:
yo he tenido que cargar
conmigo toda la vida.
Verdad incontrovertida
que con prendas de egoísmo
se disfraza de heroísmo;
pues hay que tener paciencia
para librar la existencia
cargando con uno mismo.
En ningún momento dejo
de ser yo mi compañía.
Y miro día tras día
al mismo hombre en el espejo.
Tal vez un poco más viejo
y un poco más arrugado.
Más inútil, más cansado,
más sordo, más soñoliento,
más distraído, más lento;
en resumen: más usado.
Pero hay algo singular
dentro de esta situación:
la costumbre da ocasión
para contemporizar.
Por ello he de confesar
que el tanto vivir conmigo
justifica lo que hoy digo
a modo de confidencia:
que a fuerza de convivencia
yo soy mi mejor amigo.

Minero

Te vas a morir, minero.
Terminó el pequeño y triste
tiempo en que sólo fuiste
morador de un agujero.
Se puede expresar, empero,
una sentencia segura:
que en tu morada futura
no habrá mucha diferencia,
pues la mina fue en esencia
tu primera sepultura.
Ese fue tu triste sino:
al perforar socavones
fueron tus mismos pulmones
guarida del asesino.
Polvo caro...polvo fino...
polvo malo...polvo artero...
Y vas a morir, minero,
sin saber que quien te mata
es el polvo de la plata
que nunca fue tu dinero.

Poema a mi madre


Hoy voy a decirte, madre
porqué amo la Noche Buena
Porqué cada vez que viene
yo siento que el alma entera
se me inunda de alegría
y me hace soñar quimeras.
Son añoranzas, recuerdos,
el pasado que regresa
en el aroma de un pino
y en el color de una esfera.
Es la niñez a tu lado.
con mis hermanos, ¿recuerdas?
salpicábamos el árbol
de juguetes y sorpresas;
pendientes de heno y escarcha
que desde lejos semejan
las barbas de Santa Claus
y la cola de un cometa.
"Yo quiero poner el pico"
¡Era la disputa eterna!
"Ya rompiste cuatro bolas"
¡Fue mi continua torpeza!
Y después a contemplar
cómo lucían las esferas,
como racimo de uvas,
como racimo de estrellas.
El nacimiento de barro
con su imprescindible cueva
a veces al pie del árbol,
a veces en una mesa
¡Aquel arroyo de escarcha!
¿no era como un poema?
¡Corriente de luz y plata
por un camino de piedras,
que descendía hasta el lago
de superficie muy quieta!
¡Nada menos que un espejo
con un patito de cera!
¿Quién puede dormir de niño
sabiendo que es Noche Buena?
¡Silencio, que estoy oyendo
ruidos en la chimenea!
¡Es Santa Claus que regresa
con un costal de paquetes
que al pie del árbol dispersa!
Más los soldados de pasta
y el cochecito de cuerda...
¡No son acaso los mismos
que vimos en una tienda?
¡Pero allá tenían un precio
pintado en una tarjeta...
¡Cómo jugábamos, madre,
sin imaginar siquiera
cuántas horas de trabajo
te costaba la Noche Buena.
Pero siempre hubo un árbol
con escarcha y con esferas,
un nacimiento de barro,
un regalo y una cena.
Y Navidad era hermosa
y más sabiendo que tú eras
el Santa Claus que compraba
los regalos en la tienda.
Por eso amor esta noche.
Por eso quiero que sepas
que para mí, madrecita,
tú eres la Noche Buena.

EL DIARIO DE EL CHAVO DEL OCHO
(O DIÁRIO DO CHAVES)


Em 1995, Roberto Gómez Bolaños publicou o livro que virou best-seller nacional e, anos depois, está entre os mais vendidos em todos os países onde foi lançado, inclusive no Brasil (editora Objetiva, 2006. Tradução: Fabiana Camargo): O DIÁRIO DO CHAVES.

"— Como você se chama?

— Dá no mesmo, não?

— ... O que é que dá no mesmo?

— Dá no mesmo como eu me chame, mas, se quer saber, todos me chamam de Chaves.

— Qual é a sua idade? – continuei.

— Minha idade são os anos que eu tenho.

— Então, quantos anos você tem?

— Oito, acho...

— Onde você nasceu?

— Não posso me lembrar, porque eu era muito pequenininho quando nasci."

(Adaptado do "Diário do Chaves")

A editora Objetiva afirma: "Os incontáveis fãs do moleque sardento e de sua turma vão se deliciar com as revelações deste diário secreto. É uma maravilhosa oportunidade de, "sem quer querendo", descobrir um mundo estranhamente otimista - e divertido!".

Trata-se de um livro, ao mesmo tempo, engraçado e emocionante. Ele é um documento fundamental para o fã e admirador do Chaves, pois conta toda a história do moleque antes de chegar à vila. E, depois, narra os segredos da vila, dos vizinhos... E as melhores piadas da série também estão presentes. É uma visão bem realista do mundo cruel, porém cheio de fé, onde uma criança abandonada tenta sobreviver.

O livro contém ainda preciosas ilustrações de Bolaños, que se intercalam com seus textos. Recentemente, ele foi republicado no México e lançado em vários outros países, e novamente foi para a lista dos mais vendidos, chegando a barrar o tal do Código da Vinci. Em 2005, uma nova edição foi impressa na Espanha (editora Laberinto).

Leia aqui parte do Diário do Chaves traduzido em português diretamente da fonte (versão original) por Flavio Michelin, para o Fã-Clube, antes de o livro ser publicado pela editora Objetiva.

Nota do Tradutor, que é membro do Fã-Clube CHESPIRITO-Brasil: "Quando começamos a tradução e divulgação do conteúdo do livro, havia apenas um interesse das livrarias de lançá-lo em português, mas nada de concreto. Coincidentemente, após a nossa tradução, o livro foi lançado de forma súbita e sem aviso, pela editora Objetiva, em março de 2006. Tendo em vista o exposto, mantivemos apenas a tradução que já havia sido feita. Isso proporciona a você, leitor, um aperitivo do conteúdo do livro."

Entre as publicações de Chespirito, também está um livro erótico (!) e outro sobre futebol, no qual ele narra sua decepção com o esporte em vários aspectos. Seu trabalho mais recente como escritor é a sua autobiografia, publicada no segundo semestre de 2006. "Sin querer queriendo - MEMORIAS" conta toda a vida de Chespirito, desde seu nascimento e infância pobre até a época atual, de glórias e êxitos conquistados. O livro foi lançado pela editora Aguilar, no México, e impresso para a maioria dos países da América Latina. Ainda não há, no entanto, previsão para ser lançado, em português, no Brasil. Mas você já pode conferir o primeiro capítulo, traduzido e na íntegra, aqui: Primeiro Capítulo (danizinha.org)